(Freepik) O tempo passa e, com ele, chegam mudanças bastante radicais. Para nós, que atingimos a “melhor idade”, as novas condições de saúde e nossas mudanças nos fazem frequentar salas de espera mais amiúde, onde percebemos novos hábitos e comportamentos. Não encontramos mais aquelas velhas revistas cheias de “orelhas” provocadas pelos dedos lambidos para virar as páginas. Confesso que até gostava de ver os periódicos antigos, com suas notícias, comentários, opiniões, colunas sociais e fofocas de novelas, nunca da mesma semana da consulta. Mas serviam para reciclar o que já se viveu, comparando com o rumo que os fatos tomaram. Não que as revistas não existam mais. Algumas continuam a ser publicadas, mas não mais encontradas em consultórios. E quanto às bancas que as vendiam? Bem, muitas se transformaram em verdadeiros bazares, vendendo de tudo um pouco, até revistas em algumas. Mudamos com o passar do tempo, mudaram os hábitos, mudaram os textos. Nas salas de espera, os médicos, nem sempre pontuais, nos propiciavam um bom tempo para leitura. Porém, nem sempre chegávamos ao fim de alguma longa notícia ou reportagem. Mas até isso mudou. Os textos atualmente são mais curtos, mais objetivos, menos rebuscados, e não estão mais naquelas páginas soltas, com “orelhas”, desmontadas de sua encadernação. Hoje, o que se lê ou vê nas salas de espera ilumina os rostos com a luz das telas dos smartphones, num consumo ávido que hipnotiza os leitores. As antigas revistas carcomidas iluminavam ideias. Tampouco são lidas notícias ou peças literárias. O que se nota é uma sede de comunicação frenética com interlocutores distantes, extensões do trabalho, tomadas de decisões, gerenciamento de atividades domésticas, conversas com filhos, cônjuges ou amigos. Também há quem devore postagens, verídicas ou não, nas redes sociais. Não há mais ninguém lambendo os dedos para folhear páginas, apenas deslizando aceleradamente os dedos nas telas ou digitando vertiginosamente com os polegares. Concluo que está justificada a extinção dos antigos cursos de datilografia. Eu fiz! As salas de espera ficaram mais silenciosas. Lembro que vez ou outra uma notícia era comentada com alguém ao lado, ou uma foto era mostrada com admiração. Por vezes, vi páginas serem arrancadas para leitura posterior. Quem nunca fez isso? No cotidiano atual, esse “mergulhar” nas telas tem aproximado os distantes e afastado quem está ao lado. Pois é, mudamos! Passamos a frequentar cada vez mais as salas de espera na medida em que a idade avança, infelizmente. Não temos mais aquelas velhas revistas, que pena! Mudaram os textos, não necessariamente para melhor. Vivemos uma proximidade distante, o que preocupa. Até nossa denominação mudou, pois não somos mais ou idosos ou membros da “melhor idade”. Agora somos “nolt” (new older living trend). Quanta mudança para quem acaba de atingir os 66 anos! *Carlos Eduardo Estevam Torci. Engenheiro mecânico aposentado e membro do Rotary Club de Santos - Porto e Loja Maçônica Acácia de Santos