[[legacy_image_325453]] O acolhimento acontece enquanto caminho. Ah, ruas de Santos, refletes os cuidados que recebes abraçando os passantes aqui nascidos ou que te adotaram para viver. Viver com qualidade, com o outro, com todos, imitando o convívio harmonioso das tantas espécies, que colorem os jardins das praias. Flanar pelos mosaicos de peixes, raias e tubarões que circundam o chafariz do Boqueirão. Pisar a areia brilhante até o mergulho nas águas atlânticas, enquanto cardumes de peixinhos beijam nossos pés habituados ao delicioso caminhar descalço à beira-mar. O caminho noturno mostra porque brilha o asfalto. Em frente à Casa de Saúde, aguardo o resultado de exames. Um carro branco da Terracom, com uma esponja enorme na parte inferior, limpa o asfalto da avenida em completo silêncio, respeitando o sono dos moradores. A Conselheiro Nébias cintila, sem um grão de pó. Minha Santos, quanto orgulho de ti! Sabes que a saúde vai muito além dos hospitais e cuidas de nós com um olhar amplo... Ao fim das feiras, a limpeza imediata. Assim é, também, longe das avenidas e bairros nobres. Nobre é o lugar onde moramos, seja nos morros, no centro ou à beira-mar. Nobreza que em 2024 continuará a entregar habitações populares, agora na área das palafitas. Nobre é o lugar de convívio amoroso, atento a todos e com todos. Nos caminhos de Santos, diante da casa da esquina, quase perco o horário da consulta médica: muro, metade em tijolos e a outra envidraçada, descortinando ao vento, cachos de rosas miúdas numa trepadeira ao lado de outras rosas enormes desabrochando com orgulho de sua beleza! Continuo a caminhar até a Rua Emílio Ribas, onde mora a prima, que vi nascer. Casinhas geminadas, lembram as moradas imaginárias e inocentes construídas na infância com blocos de madeira coloridos. Muro e portão baixos para o gato saltar, o cachorro espiar e quem chega bater palmas... Ó de casa?! Assim é este corredor de afeto, onde os vizinhos têm códigos para conversar, não apenas pelo celular, mas especialmente ‘olho no olho’. Uma das casas inaugura a hamburgueria na sala, sem ar-condicionado, mas com janela e porta abertas. O bate papo escorre até a calçada, no banco rústico e no meio-fio, até as 21h, quando o dono acende dois holofotes, cruzando a iluminação pelo céu da madrugada. As casas são ligadas por muros de afeto. A prima tem sempre companhia nas consultas médicas, pois os filhos e netos dos vizinhos passam tardes em sua casa, lendo e ouvindo histórias, desenhando, experimentado receitas ou simplesmente deixando-se ficar. Nessa rua encantada todos são cúmplices, atentos se algum morador não chegou, não deu a cara ao sol desta manhã, perguntando: “quer alguma compra do mercado, vizinho?” Quem cuida de Santos e há de continuar a cuidar, sabe: cuidados vão além, muito além das reuniões decisórias em gabinetes... Por isso, nosso prefeito e secretários se cumprem nas ruas, vendo o que a cidade precisa, programando e fazendo. 2024 – continuo a caminhar!