Imagem Ilustrativa (Freepik) O café, como sabemos, mobilizou inúmeras famílias brasileiras durante e após a Segunda Guerra Mundial, por conta das restrições impostas aos imigrantes de origem italiana, alemã e japonesa. Muitas famílias de cafeicultores dos estados que dispunham de meios de ferroviários para alcançar São Paulo (Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná e Espírito Santo) foram convidadas a emigrar com o propósito principal de ampliar a produção paulista e alavancar a exportação pelo Porto de Santos. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Minha mãe, viúva com cinco filhos, sendo três menores de idade, teve que deixar uma fazenda de café no Espírito Santo por reflexos da política do governo Getulio Vargas, interessado em concentrar a produção no Estado de São Paulo. Nós levamos vários dias, viajando sentados e deitados em banco duros de trens mistos, passageiros e carga, pelas estradas de ferro Vitória a Minas, Leopoldina e Central do Brasil. Nós fomos “recrutados” por uma família abastada e produtora de café. Uma busca simples no Google sobre a Rota do Café nos leva a reproduzir um dos roteiros oferecidos: “O circuito do café pode ser considerado uma rota das fazendas que produzem o grão em determinada região, como Minas Gerais, São Paulo ou Paraná. Os passeios levam os visitantes a tocar os grãos in natura, caminhar pelas lavouras e conferir de perto a produção”. Discutindo este assunto com o amigo João Jorge Peralta, entusiasta de uma possível indicação da Rota do Café para o Patrimônio Mundial pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), resolvemos então, buscar ensinamentos no exemplo de Paraty e região sobre a Rota do Ouro, que se desenvolveu durante o longo período colonial (séculos 15 a 18), recentemente reconhecida pela Unesco. O Estado de São Paulo não possui nenhum bem cultural reconhecido pela Unesco, o que nos leva a pensar na indicação da Rota do Café que muito se assemelha à Rota do Ouro. Precisamos de algumas pessoas ou instituições que possam dar o recado a fim de levar o Estado de São Paulo à obtenção ao menos um bem cultural reconhecido pela Unesco. “Alea jacta est”, ou seja, a sorte está lançada. Basta alguém dela se apropriar e fazer a Rota do Café se tornar uma realidade.