(Reprodução) Há momentos em que a reflexão torna-se inevitável, como se o universo conspirasse para que nos detivéssemos a observar os desdobramentos da existência. Descobrimos que a vida, assim como Saramago nos ensinou, é um emaranhado de digressões, onde cada pensamento é um galho que se bifurca, levando-nos a novas e inesperadas direções. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Seguir José Saramago torna-se necessário porque esse escritor é considerado a máxima expressão da literatura portuguesa, admirado por muitos e fonte de inspiração a quem deseja enveredar pelos caminhos da escrita. Em 1998, laureado com o Prêmio Nobel de Literatura; três anos antes, o Prêmio Camões, menção importante da Língua Portuguesa, e, em 1988, agraciado com o grau de comendador da Ordem Militar de Santiago da Espada. Recebeu em 2021, a título póstumo, o Grande Colar da Ordem de Camões. Professando os ideais literários de Saramago, quando me vejo a refletir sobre o curso inexorável dos dias, dou-me conta de que o tempo, esse conceito abstrato e, ao mesmo tempo, determinante, escapa-me por entre os dedos como areia numa ampulheta invisível. Os ponteiros do relógio avançam implacáveis e a vida se desdobra em momentos que parecem eternos, mas revelam-se efêmeros. Fico pensativo, absorto na contemplação dessa realidade que me confunde, assombra e também deslumbra. Os ruídos da cidade, com suas buzinas estridentes e vozes apressadas, serve apenas como um pano de fundo para essa introspecção que me toma de assalto. É curioso como, em meio ao caos cotidiano, encontro estranha paz ao me perder em pensamentos, ao questionar o sentido de tudo o que acontece ao meu redor e dentro de mim. Pergunto-me, então, se há respostas para todas as inquietações que permeiam minha mente, ou se a vida, em sua essência, torna-se um grande mistério a ser desvendado. Os dias avançam, repetindo-se em uma monotonia e quase hipnótica dança, e eu, observador solitário, testemunho incessante luz e sombra, de alegria e de tristeza. Enquanto isso, a noite cai, trazendo consigo o silêncio e a serenidade que me permitem mergulhar ainda mais fundo em minhas divagações. A lua, tímida e distante, observa-me com sua luz pálida, como se compartilhasse dos mesmos questionamentos e incertezas. Sigo adiante, procurando entender o que significa viver e, de fato, existir. E talvez, no fim, a resposta não esteja nas palavras ou nos pensamentos, mas nos pequenos gestos, nos olhares trocados, nos sorrisos compartilhados. Nesse momento compreendo que, embora possa não ter todas as respostas, a jornada por si mesma é o que mais dá sentido a tudo. Nesses diáfanos pensamentos, lá está, sempre, José Saramago, a guiar-me como um anjo.