Exército Brasileiro ( Tomaz Silva/Agência Brasil ) Há alguns anos, no passado, fui à embaixada americana para renovar o meu visto de entrada naquele país. Um sargento do exército americano que organizava a fila de espera reconheceu a minha situação de militar, talvez pelo olhar e atitude que tomei instintivamente. Perguntou-me, então: “O senhor é militar?”. “Sim”, respondi. “Então me acompanhe, por favor”. Percebi o valor imenso que os militares americanos dão aos soldados, não importa de que país ou região mundo afora. Lembrei-me então de uma frase do presidente dos EUA, John F. Kennedy, dirigindo-se aos soldados: “À pátria tudo se dá, nada se pede, nem mesmo a compreensão”. Infelizmente, no Brasil, a alta consideração que a população tinha para com os nossos soldados – de todos os postos, graduações ou recrutas – está se perdendo por ações que não me compete aqui analisar. Mas... haverá sempre um momento para se recordar um trecho da carta que Muniz Barreto escreveu em 1893, a El-Rei de Portugal, D. Carlos I. “Senhor, existem, em vosso reino, umas casas onde os homens vivem em comum, comendo do mesmo alimento, dormindo em leitos iguais. De manhã, a um toque de corneta, levantam-se para obedecer. De noite, a outro toque de corneta, deitam-se obedecendo. Da vontade fizeram renúncia, por ofício desprezam a morte e o sacrifício físico. Quando se põem em marcha, à sua esquerda vai a coragem e à direita a disciplina”. Essa colocação visando valorizar o soldado e sua vida em caserna, nos faz lembrar que tivemos, há muitos anos passados, a oportunidade de lidar com grupos de trabalhadores em greve, numa grande indústria da nossa região. Os trabalhadores se organizavam para uma enorme manifestação pública. Nós éramos apenas uma centena de soldados com a missão de proteger a grande indústria de propriedade governamental. Ao anoitecer, tivemos que dialogar com mais de dois mil grevistas, subindo em um coreto para dizer-lhes que a nossa missão era apenas a de proteger a indústria e o emprego de todos eles: “Se vocês tentarem entrar na área industrial vão ter que passar sobre estes jovens soldados. Mas, se forem para a cidade, nada temos a opor”. Bem, fomos aplaudidos e cada um seguiu o seu caminho. Esta breve recordação comentamos recentemente com o amigo João Jorge Peralta, há época um dos trabalhadores da grande indústria e hoje um dos meus melhores amigos. Revivemos, assim, um passado não muito recente, com muita compreensão sobre os tempos bons e ruins que a vida nos prepara. Elcio Rogerio Secomandi é ex-integrante da Fortaleza de Itaipu, do extinto GACosM.