[[legacy_image_321694]] Prestes a se apagarem as luzes de 2023, uma novo Réveillon toca a campainha de nossa porta. Como diz a música: “Adeus, ano velho! Feliz Ano-Novo! Que...” Sempre esteve presente em mim a certeza de que cada despertar do sono nosso de cada dia é um novo início, fingido de continuidade. Mas, não é possível comemorar esse momento com qualquer formalidade, quando muito, com um gostoso espreguiçar, um alegre bom dia e um pão com manteiga na chapa, acompanhado de um delicioso e fumegante café. Então, só nos resta comemorar os 365 reinícios em uma única data. Eis o nosso planeta completando mais um giro no sol; iniciando um novo ciclo, uma nova órbita em torno desse velho astro, aborrecidíssimo com os homenzinhos que aquece e alumia, por iniciarem o mais belo da festança após seu ocaso. E aqui continuamos nós neste mundão, viajando pelo Universo sem lugar para aportar, com a panela no fogão cozinhando lentilhas para o jantar, uma tradição de origem italiana. Dizem que dá sorte, que atrai dinheiro, devido ao formato semelhante a moedas; eu prefiro grão-de-bico, semelha pepita de ouro, mas tradição é tradição, então que sejam lentilhas. Só não podemos esquecer de pôr uma nota de dinheiro sob o prato. Na bandeja sobre a mesa, uvas à espera de serem engolidas, uma a cada badalada do relógio, com direito a um pedido para cada uva. Tradição originada na Espanha. Este ritual proporcionará 12 meses de paz e prosperidade, dizem. Outras tradições são vestir roupa branca e pular sete ondas na praia, fazendo um pedido a cada pulo. O ato proporcionará purificação e abrirá caminhos no ano que se inicia. Leve flores brancas e acenda velas para Iemanjá, a Rainha do mar. Concluído o ritual, não saia da água dando as costas para o oceano, dá azar. Podemos ainda, em prol da sorte, colocar uma folha de louro na carteira, mentalizando abundância; dizem que esse condimento atrai dinheiro, prosperidade e erradica cargas negativas. E, finalmente, temos como opção passar a virada de ano admirando a belíssima queima de fogos de artifício nos jardins da praia. Concluído o espetáculo, retorna-se ao lar para continuar os comes e bebes, brindando ao novo ciclo que se inicia. O momento se aproxima. Velhas esperanças renovadas, taças de cristal exalando lindas borbulhas douradas e rostos felizes. Imagens encantadoras que reforçam o apelo festivo. Ah, “tenham cuidado para não entrar no novo ano com o pé esquerdo!”, alguém alerta. E todos ficamos atentos para avançar com o pé direito no momento do abraço e do “Feliz Ano-Novo” ao pé do ouvido. Quantas emoções, anseios e sentimentos pautam os últimos momentos do ano velho, esse velhinho que nos suportou durante tantos e tantos dias sem reclamar. Sejamos indulgentes e gratos, dediquemos a ele um pensamento de gratidão. Afinal, ele não foi culpado de nada, toda e qualquer escolha foi decisão nossa. Finda a comemoração, já madrugada, vamos descansar das canseiras do ano velho e dos excessos da virada. Reiniciamos o novo ano. De ressaca, uma ressaca feliz e em família. Mas não importa o mal-estar ao despertar, teremos outros 364 reinícios para recuperar o equilíbrio. E eu? Será que deixei de realizar aquele rito que mais sorte me traria? Sem problema! No próximo Réveillon realizarei um diferente. Ah, quantas alegrias e esperanças o ano novo nos propicia. Lembremos da música: “... tudo se realize no ano que vai nascer! Muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender!” Feliz Ano-Novo!