Apenas na Comarca de Santos, que também abrange Bertioga, são 26.381 cidadãos com débitos pendentes, de acordo com instituto nacional (Adobe Stock) Contas... As contas do início do ano. Sempre uma correria para pagá-las. Usa-se cartão, Pix, cheque. Ops! Cheque não, saudade do pré-datado (lógico, sem a indecente CPMF), né? Não quero falar disso... Quero falar sobre valores, sobre o valor das coisas. Não apenas do monetário, aquele que se mede em real ou dólar (deixamos esse de lado, por estar muito, muito alto). Por exemplo, o valor de um sorriso sincero. Não custa nada e pode mudar o dia de alguém, assim como o abraço apertado. Ah, esse é impagável. No começo do ano, nosso café de cada dia tem seus grãos valorizados. Parece que eles decidem fazer uma festa de Réveillon e, no dia seguinte, acordam com uma ressaca tão grande que só conseguem ser colhidos a preço de ouro. Deixarei os valores da gasolina e do gás de fora, é inútil discutir esse assunto. Tão altos quanto o do tomate Débora, que nunca mais desceu e assusta tanto. O valor das coisas não está apenas no preço que pagamos por elas e sim no uso que fazemos delas. Um livro, por exemplo. Pode custar uma pequena fortuna, mas o conhecimento que ele traz não tem preço. Aquele par de sapatos que você comprou na promoção? Pode ter custado barato, mas se ele machucar seus pés, o valor dele cai para zero em questão de minutos. No começo do ano, sempre prometemos que vamos valorizar mais nosso bem-estar. Passar mais tempo com a família, dedicar-se aos passatempos, cuidar da saúde. Mas, no final das contas, acabamos gastando nosso tempo com coisas que não têm valor nenhum. Juramos que vamos nos cuidar, fazer exercícios, comer melhor. Na correria do dia a dia esquecemos dessas promessas e só lembramos delas quando estamos de cama, com uma gripe daquelas. Planejamos economizar, investir, gastar com sabedoria. Na maioria das vezes acabamos comprando coisas que não têm valor nenhum e quando percebemos já estamos no vermelho, esperando o próximo salário para tentar colocar as contas em dia. O real valor das coisas não está no preço que pagamos, mas nas experiências e sentimentos que elas nos proporcionam. Um simples café pode ser um momento de paz, uma conversa com um amigo pode ser prazerosa, e um livro pode abrir portas para novos mundos. No primeiro sábado do ano novo, uma senhora na feira livre, ao passar por uma barraca de frutas, comenta consigo mesma sobre o aumento dos preços em relação à semana anterior. Penso comigo, isso pode ser apenas o começo e como diz a letra do samba Saco de Feijão, gravado em 1977 e tão atual: “De que me serve um saco cheio de dinheiro, pra comprar um quilo de feijão?” E vocês, acham isso bonito? *Escritor, ativista cultural e diretor de Relações Públicas da Contemporânea – Projetos Culturais