Foto ilustrativa (Freepik) Cada fase da vida é uma jornada única, e o envelhecimento não foge à singularidade desse percurso. Um ditado popular sabiamente adverte que “quem elogia a velhice não a viveu de perto”, revelando a complexidade e os desafios inerentes a essa etapa. De fato, o envelhecimento nos interpela nos âmbitos físico, cognitivo e emocional, impelindo-nos a refletir sobre a existência, a mortalidade e o valor dos laços humanos. Metaforicamente, assemelha-se a uma escada onde cada degrau descendente simboliza uma capacidade diminuída, evidenciando a proximidade do fim e conscientizando-nos da importância de viver cada instante com dignidade e gratidão. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! O universo dos idosos é intrinsecamente ligado à memória. Afinal, somos a soma de nossos pensamentos, afetos, realizações e lembranças. Nossa riqueza reside nos pensamentos que cultivamos, nas ações que praticamos e nas lembranças que preservamos. E, o relembrar é uma atividade mental que não exercitamos com frequência porque é desgastante. Contudo, é salutar, pois, na rememoração reencontramos nossa identidade, não obstante os inúmeros acontecimentos vividos. Encontramos no tempo, já adolescente, os momentos vivenciados, por exemplo, quando aos 15 anos fui trabalhar como office boy numa empresa de navegação e entre as tarefas que desempenhava, uma era especial: preparar e servir o chá das 8 horas para um cidadão inglês, mr. Grant, proprietário da empresa, e que nos chamava através do som de três badaladas de um pequeno sino de bronze. Lembro ainda de quando recebi a notícia de que havia sido aprovado no vestibular da UFPR. A alegria contagiou, além de minha mãe e irmãos, a vizinhança do entorno de nossa casa no Morro Pacheco. Recordo, com saudade dos meus 50 anos, quando percorria com vigor as praias de Santos, do canal 2 ao 6. Hoje, com as dificuldades inerentes à idade, percorrer o trecho do canal 3 ao 6 torna-se um desafio. As recordações da juventude, como as peladas no campo de areia da Visconde de Embaré aos 15 anos, são tesouros que, como um filme, avivam minha memória, revelando a dimensão em que um octogenário habita: o passado. O futuro, por sua vez, torna-se tão breve que não merece tanta dedicação. Diante dessa realidade, somos compelidos a ponderar sobre as visões divergentes dos filósofos gregos Platão e Epicuro. O primeiro acreditava na vida após a morte, enquanto o segundo defendia que a morte representa o fim da existência. Em suma, independentemente de nossas crenças, é fundamental aceitar a mortalidade como uma realidade inevitável, que nos convida a valorizar o presente, cultivar relacionamentos significativos, honrar a experiência acumulada e reconhecer a relevância de cada fase da vida.