(Imagem ilustrativa/Pexels) A Grécia, esse pequeno país do Mediterrâneo e recheado de ilhas encantadoras, é conhecida mundialmente pelo turismo. Mas sua economia também se apoia fortemente no transporte marítimo, na agricultura e nos serviços. Ainda assim, é considerada uma das economias mais frágeis da União Europeia. Mesmo com passagens por governos populistas e escândalos de corrupção dignos de tragédias gregas, o país mantém uma renda per capita mais que o dobro da brasileira. Entrar para a União Europeia não foi fácil. As exigências eram rígidas e os gregos suaram para entrar no clube. Em alguns momentos, pensaram até em abandonar o barco, mas felizmente decidiram seguir viagem com o bloco. O problema? Quando a economia deu sinais de fraqueza, o Estado grego cresceu mais do que o orçamento permitia. Traduzindo: gastava-se como se não houvesse amanhã, e os cofres públicos entraram em colapso. Parece familiar? Foi aí que entrou em cena o freio europeu. As regras rígidas da União Europeia funcionaram como um controle de danos: obrigaram o país a reestruturar as contas públicas e colocar a casa em ordem. Claro que, como todo governo populista, a culpa pelos problemas foi jogada nas costas das tais regras — porque assumir os próprios erros não rende votos. E aí vem aquela pergunta incômoda: o que acontece com o Brasil? Bem, o roteiro é parecido: quando algo dá errado, culpamos os americanos, o antecessor, os ricos, o clima, a má sorte… menos quem está no comando. Entre idas, vindas e tropeços, o fato é que nossos governantes não conseguem reduzir a desigualdade, nem melhorar a educação, mas mostram uma eficiência notável em aumentar a criminalidade e os impostos, multiplicar escândalos de corrupção e aperfeiçoar o famoso toma lá, dá cá. Talvez seja hora de pensar em algo mais sério: e se tivéssemos regras rígidas como as da União Europeia? E se, em vez de "jeitinhos", adotássemos um modelo mais transparente e funcional? Rever a Constituição pode parecer ousado, mas que tal começar pela estrutura do Judiciário? A indicação de ministros do STF pelo presidente da República funciona em países onde o processo é criterioso e transparente. Mas no Brasil, onde as indicações costumam ser regadas a fisiologismo, favores e interesses inconfessáveis, talvez seja a hora de repensar esse modelo. A Grécia, mesmo com todos os seus problemas, segue firme. E nós? Continuamos buscando culpados – e esquecendo de olhar no espelho. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor