[[legacy_image_324379]] Nesses primeiros dias de 2024, é natural a realização de balanços que olham para os principais indicadores da economia nacional, mirando a comparação com a situação encontrada no início de 2023. São inegáveis os avanços, com o início do processo de queda da taxa Selic (atualmente em 11,75% ao ano), a queda do dólar (no fim de dezembro em cerca de R\$ 4,90), a queda da inflação (apurada em 4,46% anual, dentro da meta do Banco Central), crescimento do PIB em 2,92% (quando se esperava algo em torno de 0,8%) e redução da taxa de desemprego para 7,5%, entre outros. Motivos para comemorar existem, independente de matiz ideológica, e note-se que esse ambiente macroeconômico positivo vem acompanhado do fortalecimento da estabilidade democrática e do retorno do Brasil aos grandes fóruns de discussão internacionais, seja nas questões ambientais, seja nos temas econômicos. O que falta então? Certamente muita coisa, embora o início seja promissor, mas quero chamar a atenção para a chamada Taxa de Investimento da economia, isto é, quanto da renda nacional, representada pelo PIB do país, é destinada a investimentos produtivos em fábricas, equipamentos e infraestrutura. Aquele recurso que alavanca e impacta diretamente no crescimento econômico, por seu efeito multiplicador. Segundo o IBGE, a taxa de investimento no Brasil está em 16,6% do PIB (a taxa média da América Latina é de 20% a 25%), principalmente em razão dos impactos da insegurança jurídica, alterações em regras fiscais e relação risco-retorno com as taxas de juros atuais. O economista André Lara Resende afirma que essa taxa deveria ser de, no mínimo, 30% do PIB, contribuindo com o crescimento econômico e redução de desigualdades sociais, acrescentando que, no caso do investimento estatal, destiná-lo a habitação, saneamento e infraestrutura, proporciona retorno mais imediato na economia. Importante lembrar do capital privado na taxa de investimento do país, apurada pela Formação Bruta do Capital Fixo (FBCF), indicador do Ipea que apura o quanto é destinado aos investimentos em máquinas, equipamentos, construção civil, entre outros, pelas empresas. Para o aumento da taxa de investimento nacional, tanto no público quanto no privado, temos que verificar, entre outros fatores, a atuação do BNDES e a variável taxa de juros básica da economia – taxa Selic. No caso do BNDES, houve um aumento de 94% nos novos financiamentos de janeiro a dezembro de 2023, e de 29% nos desembolsos de janeiro a setembro da carteira existente, somando R\$ 75,4 bilhões. O foco principal dessas contratações foi o setor de infraestrutura (saneamento, energia, telecomunicação, transporte e logística), destinado às áreas pública e privada. Para que os investidores privados tomem a chamada “decisão do investimento” temos algumas variáveis, sendo a principal a taxa de juros, baseada, como sabemos, na taxa Selic. A redução da Selic, dos 13,75% do início de 2023 para os 11,75% atuais, é o começo de um ambiente mais amigável para que o setor privado decida ampliar sua capacidade de produção. Se é inevitável que a economia seja refém do investimento para seu crescimento, é fundamental que os agentes econômicos, governos em especial, se dediquem a esse incremento, pois uma taxa de 25% do PIB pode expandir a economia nacional em cerca de 4% a 5% ao ano. O crescimento econômico distribuído por todas as camadas da sociedade é a melhor maneira de combater nosso crônico quadro de desigualdade social, alavancando o país no rumo do desenvolvimento.