[[legacy_image_288664]] No filme A Hora do Pesadelo, de 1984, um grupo de adolescentes é perseguido, em sonho, por Freddy Krueger, personagem eternizado na cultura pop do gênero terror. Assustadoramente, o serial killer que possuía garras de aço no lugar dos dedos era capaz de matar suas vítimas transcendendo a natureza onírica. E foi a partir da alusão aos longas-metragens da saga produzida por mais de 15 anos que, outro dia, um aluno prestes a iniciar a escrita de uma redação virou-se para mim: “Chegou a hora do pesadelo – dissertação assassina”. Pois bem, hora de acordar! A proximidade dos exames vestibulares tem feito, novamente, com que nossos jovens sintam-se acuados diante de propostas temáticas sobre as quais devem estabelecer suas teses; criar argumentos legitimados pelos diversos campos do saber; e traçar conclusões coerentes com suas ideias. Dá para entender o porquê. Minimamente, a escrita transformou-se em artigo de luxo, já que boa parte das escolas públicas e particulares ainda não percebeu a importância de aprofundar os estudos da produção textual ao longo da formação básica dos alunos. Enquanto crianças e adolescentes são bombardeados por conteúdos es-drúxulos e formas como “oq”, “ata” e “kkk” no contexto das mídias sociais, a (de)formação de professores caminha ladeira abaixo e os laboratórios de redação perdem cada vez mais espaço nas instituições. A verdade é que a redação é muito injustiçada. Jamais poderia ganhar o rótulo de serial killer dos pesadelos, mas de Santo Protetor dos Bons Sonhos, com direito a happy end. Afinal, ela é interdisciplinar, atua de forma a organizar o pensamento em História, Geografia, Biologia e, sim senhor, Matemática, Física e, inclusive, Química! O texto escrito impulsiona o estímulo ao raciocínio, à criatividade e à habilidade de expressar com eficiência, clareza e precisão os fatos, seja lá qual for o contexto comunicativo. Estudar Redação significa adquirir o repertório sociocultural que torna as pessoas mais interessantes e articuladas. Assim, fica óbvio enxergar que os benefícios ultrapassam a aprovação em concursos vestibulares, contribuindo no dia a dia da vida pessoal e profissional do indivíduo, independentemente da carreira escolhida. Bom, eu poderia citar ainda os benefícios do estudo da Redação relacionados à interpretação de texto. Mas, como o espaço é escasso, prefiro aludir aos profissionais que recomendam a escrita como auxílio psicoterapêutico. Uma boa estratégia, por sinal, para os alunos que enfrentam as angústias dos vestibulares e desejam ter bons sonhos!