(FreePik) Assistindo a um programa de TV, soube que foi realizada uma pesquisa com a população para se saber o que mais estava afetando as boas relações entre os cidadãos. A maioria respondeu que a sociedade precisaria incutir valores ao comportamento das pessoas para que, a partir deles, os relacionamentos melhorassem. Os entrevistadores se mostraram em dúvida com relação ao conceito de valores almejados pela sociedade. Saíram novamente às ruas e ouviram da população que esses tais valores estão vinculados ao amor, à humildade, ao respeito, à tolerância, à solidariedade, enfim, a outros tantos costumes sociais que, infelizmente, a humanidade resolveu abolir e colocar como algo fora de moda nas suas vidas. Interessante esse tipo de pesquisa porque, de uns tempos para cá, tenho observado atitudes estranhas, nada civilizadas, colocadas em prática por pessoas de certo poder aquisitivo e de, também, razoável instrução. Os seres humanos colocam como prática atos considerados banais, mas desrespeitosos, nada condizentes com o que se possa esperar de seres racionais e civilizados. Isso deveria envergonhar as pessoas que adotam atitudes que promovem comportamentos individualistas, prejudiciais a outros cidadãos. Muitas vezes encontramos indivíduos impacientes e mal educados no meio social, fazendo valer os seus direitos, mas esquecendo que também precisariam cumprir deveres para, assim, reivindicar algo a mais para si. Há, ainda, aqueles que, sem nenhum tipo de escrúpulo, conseguem vantagens, lugares reservados, favores em empresas, usando amigos influentes ou o seu próprio poder de intimidação para levar vantagens sobre outras pessoas. Fico intrigado com a quantidade de gente que usa o seu semelhante para proveito próprio, fingindo amizade até conseguir o seu intento e depois, sem qualquer pudor, “jogar” a pessoa usada no ostracismo. Somos, diariamente, desrespeitados por pessoas que deveriam agir com cordialidade e carinho no trato com os semelhantes. Sabem como gritar, exigindo para si o que a sociedade só lhes poderia dar se elas tivessem feito a sua parte no cumprimento dos seus reveres. Quando percebi que a mídia está preocupada em debater essas questões, passei a enxergar uma luz no final do túnel e, assim, vislumbrei novas perspectivas para reconstruir uma comunidade mais justa, igualitária e plena em direitos e deveres. Diante de tanta tecnologia, carecemos de uma sociedade mais humanitária, mais comprometida com os seus ideais coletivos, na qual os cidadãos estejam capazes de usufruir da garantia de serem iguais em direitos e oportunidades, legítimos detentores da plena felicidade, necessária a uma existência mais digna e mais adequada a todos os seres propensos a pôr em prática a tão sonhada e legítima reciprocidade. *Maurilio Tadeu de Campos. Mestre em Educação, pesquisador, escritor, presidente da Contemporânea Projetos Culturais e membro da Academia Santista de Letras