[[legacy_image_279729]] Os cenários político, social e econômico no Brasil e também no mundo vêm ingressando num campo muito perigoso de subversão entre realidade e pensamento. Por força de posições ideológicas aguerridas, alguns setores da sociedade acham que os fatos devem se adequar às ideias e não as ideias serem concebidas a partir dos fatos. Tal espécie de comportamento, aliás, já motivou grandes debates históricos entre filósofos e pensadores, obviamente em períodos em que a sociedade não dispunha de instrumentos tecnológicos para organizar e analisar informações com abrangência. Hoje, na Era da Inteligência Artificial, com uma imensa biblioteca digital para cruzamento de informações e concepção de raciocínios mais apurados, não dá para definir preferências e firmar posições e condutas sem tomar o mínimo de cuidado com as pesquisas. Nos primeiros cinco meses do atual governo, período marcado por uma ampla polarização de preferências ideológicas, o Brasil caminha de forma idêntica ao que ocorre há várias décadas: se endividando cada vez mais e sem saber o lugar em que pretende chegar. Sem planejamento algum, sem a mínima visão crítica da realidade, ignorando os fatos e sustentando um discurso em falsas premissas, o Governo Lula atribui sua inércia à suposta herança de uma administração sem recursos para financiar suas ações públicas. É verdade que o paletó é menor do que o defunto, mas essa realidade não irá mudar cobrindo seus braços com flores. As contas da União não ficaram fragilizadas da noite para o dia, mas porque, há décadas, a realidade vem se subvertendo às ideias. De janeiro até maio deste ano, o resultado nominal das contas públicas (receita menos despesas e juros da dívida pública) foi negativo em R\$ 7,792 trilhões, em valores atuais, forçado pela necessidade de pagamento de juros da dívida pública de R\$ 7,653 trilhões. E nada menos que R\$ 5,059 trilhões desse endividamento (ou 66,10%) foram gerados pelo próprio governo petista, hoje o maior responsável pela dívida pública fixada no patamar de R\$ 8,598 trilhões. Dessa forma, não dá para responsabilizar terceiros pelos próprios atos e muito menos continuar endividando o País sem traçar estratégias de governo baseadas em fatos e não em ideias desvinculadas da realidade. Nesse processo de endividamento, o Regime Geral de Previdência Social (RGPS) foi responsável por um déficit de R\$ 3,3 trilhões no período e, de forma crescente, governo após governo. E os estudos atuariais oficiais demonstram que, nas próximas duas décadas, esse rombo atual de 2,47% do Produto Interno Bruto (PIB) alcançará o patamar de 4,01% – isso se a tecnologia não dizimar metade da atual força de trabalho. E todos esses fatos narrados vêm ocorrendo com a complacência da classe política; em boa parte com a omissão do empresariado e das entidades de classe, e diante da sonolenta academia, que deixou de produzir ciência para doutrinar parcela expressiva da juventude em prol da formação de uma força rebelde que irá guardar o diploma na gaveta. Parece irônico, mas o atual governo sequer deu seus primeiros passos e o pensamento nacional já está sendo direcionado para as próximas eleições. É uma pena contabilizar mais de 60 milhões de analfabetos funcionais no Brasil, entre os quais 3,5 milhões de universitários, mas é ainda mais preocupante ver crescer a cada dia o exército de idiotas úteis.