(Gerada por IA) Segundo alguns pesquisadores, existiu uma cidade perdida ao lado do Forte Príncipe da Beira, Rondônia, conhecida pelo nome Ratanabá, palavra que significa “dos reinos para o mundo”, na linguagem Irdin. Para eles, as ruínas lá existentes tiveram origem anterior à colonização portuguesa, indicando “evidências de sítios de grande dimensão, estradas e aterros construídos há muito tempo”. Príncipe da Beira é uma impressionante fortificação colonial erguida logo após a assinatura do Tratado de Madrid, de 1750, ratificado pelo Tratado de Santo Ildefonso, de 1777, definindo os limites entre as colonizações portuguesa e espanhola na América do Sul. Para se chegar ao Príncipe da Beira e visitar as ruínas, é preciso enfrentar 739 quilômetros a partir de Porto Velho, percorrendo uma estrada em péssimo estado de conservação. Não há voos, exceto os militares, pois ali existe um pelotão avançado do 6º Batalhão de Infantaria de Selva. Tivemos a oportunidade de ir lá por duas vezes com alunos da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e, com enorme satisfação, pudemos construir a Linha do Tempo do 6ºBIS, num enorme painel em acetato colante. O forte colonial muito se assemelha às fortificações francesas do chamado sistema Vauban (Sébastien Le Prestre de Vauban) e está no caminho percorrido entre 1647 e 1651 por Raposo Tavares, indicado pelo governo de Portugal para reconhecer a atual fronteira terrestre do Brasil, subindo o Rio Paraguai e descendo os rios Guaporé, Madeira e Amazonas, até a sua foz. A epopeia de Raposo Tavares, acompanhado por cerca de dois índios, poucos paulistas e alguns militares do exército de Portugal, percorreu mais de dez mil quilômetros, tendo retornado a São Paulo, por mar, a partir de Belém. Desgastado fisicamente, faleceu dois anos depois, conforme consta do livro de Pedro Pinto, de 2012, Raposo Tavares, O Último Bandeirante (Editora Planeta). O forte tem a configuração de uma estrela de quatro pontas, com duas paredes de pedra e, entre elas, uma espécie de ‘caixa de brita’, usada tempos passados nas corridas de automóvel, para reduzir a velocidade de um carro desgovernado. O espaço entre as paredes de pedra tem por finalidade reduzir, no caso, o impacto de tiros de canhões. Sem dúvida, trata-se de um exemplar arquitetônico de valor inestimável e bastante representativo da enorme persistência dos poucos portugueses, habitantes da terra e indígenas que atuaram na construção deste imenso país chamado Brasil. *Elcio Rogerio Secomandi. Membro da Academia Santista de Letras