Um dos maiores desafios da paternidade é educar os filhos. Pais, mães, em alguns casos tios-avôs, parentes, que tomam para si ou são levados a essa difícil missão têm de se esforçar ao máximo para que os pequenos sigam determinados caminhos e, acima de tudo, aprendam a respeitar as leis e a seguir e obedecer às regras impostas em todos os segmentos da sociedade. O que temos visto nos dias de hoje é que as atuais crianças, adolescentes e jovens - todos com integrantes das gerações Z e Alfa - filhos da geração Y, enfrentam sérios problemas em cumprir simples regulamentos. Segundo educadores, o principal motivo dessa, digamos assim, rebeldia deles está na educação recebida. Muitos dos pais atuais, filhos de integrantes das gerações babby boomers ou X, evitam repetir o que receberam em suas casas por considerarem um processo educacional que chamam de repressivo. Ou seja, ouviram e entenderam o que significa a palavra não! Assim, sem seguir o caminho dos progenitores, algo que poderia ter algumas mudanças naturais devido aos novos tempos, eles eliminaram do vocabulário esse advérbio de negação e criam cidadãos individualistas avessos às normas e regras justamente por não aprenderem o real significado do verbete que limita os atos de todos dentro e fora de suas casas. Nas escolas, os pais se ausentam das reuniões para discutir a vida dos filhos, diferentemente do que os agora avós faziam, quando acompanhavam mais de perto não só as notas como também o que acontecia nas instituições. Certamente todos sabem que a correria da vida diária mudou muito nesses anos, pois a necessidade de manter uma casa e pagar incontáveis boletos que não param de chegar, é visível. No entanto, essa constante baixa frequência de pais nas reuniões - motivados por excesso de trabalho, outras prioridades, até falta de interesse - feitas para eles saberem como anda a vida escolar das crianças, dos adolescentes e dos jovens os leva a ficarem sem retorno de pessoas que passam com seus filhos boa parte do dia, muito mais do que eles próprios. Esse descaso - sim descaso! - com a vida escolar dos menores leva pais e responsáveis a receber de volta o que incutiram como educação na mente dos filhos, em quem passam a acreditar em tudo o que os pequenos dizem e a duvidar das palavras dos professores. Essa questão disciplinar, em geral, é falta de gestão familiar, pois com a família sem participação no processo de aprendizado deles, crianças adolescentes e jovens se sentem no controle, assumem o rumo da situação e passam a mandar nos pais. *José Roberto Chiarella. Educador, professor de Educação Física e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida e LIV (Laboratório Inteligência de Vida) e advogado com especialização em Direito Digital