Imagem ilustrativa (Freepik) Um traço peculiar da língua é a multiplicidade de sentidos que uma palavra pode assumir, isto é, a atribuição de significados distintos a um mesmo termo. Tome-se como exemplo o vocábulo ‘cuidado’. Segundo o dicionário Priberam, designa cautela ou indica situação de perigo. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Seja qual for a acepção, esta palavra não se esgota na educação, sobretudo para os professores, cujo exercício do magistério tem se tornado cada vez mais penoso para cerca de 2,2 milhões de profissionais da Educação Básica do País. De acordo com pesquisa do Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp), intitulada Violência nas Escolas: O Olhar dos Professores, 44% dos docentes já sofreram algum tipo de violência, enquanto 57% enxergam a escola como um ambiente violento. A violência, porém, não é o único fator de risco. O estudo Talis, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), indica que o percentual de professores que relatam “muito estresse” no Brasil (20,9%) supera a média mundial (19,3%). O impacto na saúde é ainda mais expressivo: por aqui, 16,5% apontam danos na saúde mental. A análise das fontes de estresse aponta, como principais fatores de adoecimento laboral, a elevada responsabilização docente, os desafios disciplinares, a sobrecarga de tarefas e a violência no ambiente escolar. Pesquisa publicada na Revista Brasileira de Saúde Ocupacional (volume 48) indica maior prevalência, entre professores, de condições associadas ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como obesidade, sedentarismo, tabagismo, consumo abusivo de álcool e burnout. A atividade docente envolve também exposição a condições insalubres, como ruído excessivo, poeira do giz, associada a irritações respiratórias, sobrecarga vocal e contato frequente com agentes biológicos. Diante disso, a Norma Regulamentadora 1 (NR-1), que estabelece diretrizes gerais sobre segurança e saúde no trabalho, em vigor a partir de maio deste ano, deve contemplar, no âmbito do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) e do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), o mapeamento das condições organizacionais e psicofisiológi-cas do trabalho docente. Sabe-se que muitos dos riscos inerentes à docência não podem ser eliminados; ainda assim, é possível reconhecê-los, assegurando ao professor formas de compensação indenizatória e fomentando o debate sobre sua aposentadoria. Cuidar de quem cuida é cuidar de todos.