<p data-path-to-node="2">Olhar para uma tomada cheia de adaptadores e cabos ligados ao mesmo tempo ajuda a entender o que acontece com a gente no dia a dia. Quando o cansaço bate forte, a gente costuma achar que a nossa força simplesmente acabou ou que não estamos dando conta.</p> <p data-path-to-node="3">Mas quase nunca paramos para olhar o principal: quantas tarefas, cobranças e pessoas dependem dessa mesma fonte sem que ela tenha um tempo para respirar e se abastecer?</p> <p data-path-to-node="4">Essa conta pesa ainda mais para quem vive no papel de cuidar.</p> <p data-path-to-node="5">Mães, pais, professores, profissionais da saúde e todas as pessoas que seguram a barra emocional de quem está ao redor acabam virando essa tomada central. O mundo espera que elas estejam sempre prontas, firmes e dispostas a resolver tudo.</p> <p data-path-to-node="6">O problema é que cuidar não pode ser um caminho de mão única. Quem cuida quase sempre guarda para si um recado silencioso: o de que o seu próprio cansaço, a sua dor e os seus limites podem esperar.</p> <p data-path-to-node="7">O resultado disso é um esgotamento que ninguém vê, uma dor que não ganha espaço e o hábito de engolir o que se sente.</p> <p data-path-to-node="8">Nenhuma estrutura aguenta o tranco sem queimar quando é exigida além da conta.</p> <p data-path-to-node="9">Por isso, olhar para quem cuida e oferecer suporte não é uma gentileza opcional; é o básico para que essa pessoa continue bem e de pé.</p> <p data-path-to-node="10">Essa missão não pode ficar nas costas de uma pessoa só.</p> <p data-path-to-node="11">A família, o ambiente de trabalho e os amigos precisam enxergar o cuidador além da figura forte que resolve tudo. Ele também precisa de escuta, de momentos de pausa, de ajuda prática e de colo.</p> <p data-path-to-node="12">Antes de cobrar presença e entrega o tempo todo, precisamos abrir espaço para o descanso.</p> <p data-path-to-node="13">Desconectar algumas tomadas, dizer não para o excesso e colocar limites não é egoísmo. É o único jeito de não deixar a nossa própria luz apagar.</p> <p data-path-to-node="14">*Karina Picon. Psicóloga, palestrante e autora do livro “Arte de Sentir”</p>