Continuamos a tropeçar na escolha de nossos representantes a cada eleição (Reprodução) No final do século 20, acreditávamos que a consolidação da democracia seria nosso maior legado para as próximas gerações. Imaginávamos um futuro com uma democracia sólida, funcionando dentro da normalidade em nosso país, estado e cidade. Porém, deixamos de considerar que uma parcela significativa da população, sem o devido senso crítico, teria pouco interesse e envolvimento nos assuntos que envolvem a administração pública e a política. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Como resultado, continuamos a tropeçar na escolha de nossos representantes a cada eleição. Frequentemente, não escolhemos aqueles que são mais capacitados, tanto tecnicamente quanto eticamente, para ocupar cargos eletivos. Em vez disso, nos encantamos por candidatos bajuladores eloquentes, cujos discursos de campanha são recheados de falsas promessas. Mas esses candidatos, embora envolventes, muitas vezes carecem da solidez ética necessária para a condução da coisa pública. Até quando continuaremos a escolher populistas carismáticos, mas sem o comprometimento ético de que tanto necessitamos? A corrupção não é um fenômeno exclusivo do Brasil; ela ocorre em maior ou menor grau na maioria dos países. O que preocupa, porém, é a serenidade com que muitos brasileiros aceitam e até justificam sua presença, como se a corrupção fosse um destino inevitável, quase endêmico. Até mesmo no cotidiano, o jeitinho, há muito tempo presente em nossa cultura, continua firme e forte, sendo aceito por muitos com naturalidade e, em alguns casos, até com orgulho. “Faz parte da brasilidade!” - dizem. Essa visão, no entanto, contribui para a naturalização do jeitinho também na política, o que nada mais é do que uma forma de corrupção. Esse círculo vicioso facilita a atuação dos políticos corruptos e demagogos, cujo verdadeiro objetivo não é o bem comum, mas sim o benefício próprio e de grupos específicos. Isso acaba impedindo o combate à corrupção e, como temos observado, desvaloriza iniciativas que visam combater práticas ilícitas, além de desestimular movimentos que expressam revolta contra essas práticas. Ao escolher um candidato, o eleitor deveria investigar se ele realmente leva em conta as necessidades e o respeito à comunidade em todas as suas ações, e se está disposto a abrir mão de vantagens pessoais em prol do bem comum. Infelizmente, muitos eleitores não verificam se o candidato tem esse comprometimento. Portanto, é essencial que, neste período pré-eleitoral, cada cidadão exerça sua cidadania com seriedade, vigilância e responsabilidade na escolha de seus candidatos. Evitemos escolher por impulso ou por motivos triviais, como o fato de ser nosso vizinho, amigo de um amigo, ou, pior, por ter o discurso mais cativante recheado de falsas promessas. Assim, quem sabe, após o dia 6 de outubro, possamos ter esperança em ver uma cidade com menos jeitinhos. *William Horstmann é engenheiro, ex-executivo e consultor.