Dificuldade para distinguir o real do falso é um dos problemas do uso da IA, de acordo com Marcelo Senise (Matheus Tagé/AT/Arquivo) Há alguns anos, falar em segurança era pensar em porta trancada, documento guardado e cuidado ao andar pela cidade. Hoje, parte importante da nossa segurança também cabe na palma da mão. O celular virou banco, agenda, documento, álbum de família, local de trabalho, canal de atendimento, loja, conversa, memória e vida cotidiana. É por ele que pagamos contas, recebemos mensagens, enviamos documentos, acessamos serviços públicos, falamos com familiares e resolvemos pequenas urgências do dia. Mas é também por ele que muitos golpes chegam. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um link falso enviado por mensagem. Uma ligação fingindo ser do banco. Um boleto adulterado. Uma promoção boa demais para ser verdade. Um pedido de dinheiro feito por alguém se passando por familiar. Um perfil clonado. Uma senha compartilhada sem perceber. Em poucos minutos, a tranquilidade pode virar prejuízo, medo e sensação de invasão. A cibersegurança, portanto, não é apenas tema de especialistas em tecnologia. É assunto de família, escola, empresa, governo, comércio, idosos, jovens e de todos que vivem conectados. Quando uma pessoa cai em um golpe virtual, não perde apenas dinheiro. Muitas vezes, perde confiança. Sente vergonha, culpa e insegurança. Quando um pequeno empreendedor tem sua conta invadida ou seus dados expostos, pode perder vendas, clientes e credibilidade. Quando um serviço digital sai do ar, a população sente na prática a falta de preparo. Por isso, proteger dados e informações precisa ser entendido como um cuidado cotidiano. Assim como aprendemos a fechar a porta de casa, também precisamos aprender a desconfiar de mensagens estranhas, criar senhas mais seguras, não clicar em links suspeitos, confirmar pedidos de dinheiro por outro canal e tratar nossos dados pessoais com mais atenção. Mas essa responsabilidade não pode recair apenas sobre o cidadão. Empresas, bancos, plataformas digitais, escolas, órgãos públicos e instituições também precisam fazer a sua parte. Devem orientar melhor, proteger sistemas, simplificar informações, treinar equipes e agir rapidamente quando houver risco. A tecnologia trouxe facilidades importantes. Aproximou pessoas, reduziu distâncias, agilizou serviços e abriu novas oportunidades. Mas todo avanço precisa vir acompanhado de responsabilidade. Não basta digitalizar a vida se as pessoas continuam desprotegidas diante dos riscos. Em tempos de inteligência artificial, redes sociais, aplicativos e circulação intensa de informações, segurança digital também é proteção da dignidade. É cuidado com idosos que recebem mensagens falsas. É atenção com jovens que compartilham dados sem perceber. É respeito com consumidores, trabalhadores, usuários de serviços públicos e pequenos empreendedores. Cibersegurança não deve ser vista como medo da tecnologia, e sim encarada como educação para usar a tecnologia com mais consciência. Porque, quando o golpe chega pelo celular, ele não atinge apenas uma tela. Atinge pessoas, famílias, histórias, economias e confiança. E proteger essa confiança é responsabilidade de todos. Alessandra Franco. Secretária de Administração da Câmara Municipal de Santos, advogada, pedagoga, mestranda em Políticas Públicas na UFABC e integrante do Programa Conselheira 101.