[[legacy_image_304068]] O Sindicato dos Médicos de Santos, São Vicente, Guarujá, Cubatão e Praia Grande (Sindimed) vem a público, mais uma vez, manifestar sua preocupação quanto à retomada da abertura indiscriminada de escolas médicas patrocinada pelo Governo Federal e que pode comprometer a qualidade, eficácia e segurança da assistência em saúde no País. Na última semana, foi anunciado novo edital para autorização de cursos de Medicina. Essa decisão, repudiada veementemente não só por este sindicato, mas por todas as entidades que representam a classe médica, expõe o paciente e seus familiares ao risco de atendimento por profissionais que não receberam formação adequada. Em nota, divulgada após o anúncio, o Conselho Federal de Medicina (CFM) alerta que os estudantes de Medicina sem acesso à infraestrutura mínima ficam privados de ferramentas para sua capacitação, colocando em risco a saúde e vida da população. Para uma melhor compreensão dos fatos, é bom salientar que, para o CFM, um curso de Medicina deve funcionar em localidades que atendam, pelo menos, a três critérios: oferta de, no mínimo, cinco leitos públicos de internação para cada aluno; acesso de, no máximo, três alunos a cada Equipe da Estratégia Saúde da Família (ESF); e presença de um hospital ensino. Entretanto, esses parâmetros têm sido ignorados em nome de uma subjetividade que compromete sua avaliação. Ainda segundo o CFM, 80% das escolas médicas já existentes não cumprem pelo menos um desses três critérios. Dados recentes apontam que, ao contrário do que o Governo diz, não faltam médicos no Brasil, mas sim uma política que atraia e fixe esses profissionais nas áreas distantes e na rede pública. Para o Sindimed, é lamentável a forma como os ministérios da Educação e da Saúde têm tratado essa questão de alta complexidade. Nossa população merece uma saúde de qualidade, com eficiência e planejamento. O Brasil não precisa de mais médicos, mas de médicos melhor formados.