(ROMEO CAMPOS/ESTADÃO CONTEÚDO) Na prática, o mundo se move entre o conservadorismo, o socialismo, o intervencionismo e o liberalismo. A adesão a cada uma dessas ideologias deveria ser baseada em uma compreensão clara de seus princípios por parte de seus seguidores. No entanto, em países como o nosso, onde a educação foi relegada a um papel secundário, a falta de senso crítico impede que a maioria conheça esses fundamentos. E o que acaba acontecendo? As pessoas adotam “kits” ideológicos prontos para consumo. Pior ainda, esses kits vêm sendo constantemente reforçados com novos componentes, cristalizando ainda mais essas crenças. Se você defende o meio ambiente, é ligado às ciências humanas, apoia minorias, valoriza arte, é contra o armamento da população ou é vegano... o seu kit é de esquerda! Se você é ligado a alguma igreja, defende a família tradicional, simpatiza com os militares, apoia o agronegócio, é a favor do armamento da população... o seu kit é de direita! Será que não percebemos que esses “kits” prontos não representam uma ideologia genuína e que as escolhas individuais, deveriam permanecer acima de qualquer rótulo ideológico? Esquecemos que nos Estados Unidos a Ku Klux Klan, um dos maiores movimentos racistas do mundo, teve laços com o Partido Democrata, hoje considerado de esquerda? Que Hugo Chávez e Fidel Castro eram militares? Que Hitler era vegetariano? Que Salvador Dalí era fascista? Que Clint Eastwood se auto declarou libertário? Podemos listar milhares de inconsistências como essas nos “kits” pré-fabricados. Em suma, alguns formadores de opinião, com seu pensamento maniqueísta, buscam nos impor suas visões, e acabamos acreditando em certos valores, comportamentos. Desde a Revolução Francesa, igualdade e liberdade tornaram-se pilares da sociedade. No entanto, esses valores muitas vezes se chocam. Para garantir igualdade, é preciso impor limites às liberdades de quem está em vantagem e a liberdade irrestrita pode aprofundar desigualdades. Desde 1789, a política mundial tem sido uma busca por equilíbrio entre esses princípios. Todos nós queremos gozar da liberdade de escolhas, mas a pergunta que fica é: porque não encaramos da mesma forma a liberdade de escolha dos outros? Sugiro, portanto, que observemos, sem preconceitos, experiências sociais diferentes das nossas. Que respeitemos essas diferenças, sem nos deixarmos influenciar por tantas opiniões alheias, e sim criando nossas próprias, buscando pelos verdadeiros fatos. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor