[[legacy_image_323732]] O período de Natal e Ano-Novo é marcado por sentimentos e promessas. As pessoas abraçam os amigos, desejam felicidades e prosperidade, e deixam de lado, ainda que por breves dias, as atribulações e dramas que são rotineiras em suas vidas. Fazem promessas e assumem compromissos consigo mesmas – emagrecer, adotar rotina de exercícios físicos, parar de fumar, mudar hábitos e rotinas. Pena que elas não durem muito e sejam logo abandonadas, como ocorre sempre. Toda virada de ano, além das clássicas promessas não cumpridas, tem suas repetições. Há as famosas retrospectivas na TV, colagem de cenas e imagens do ano que se foi, chatas, aborrecidas e monótonas, que não trazem reflexão ou crítica sobre os fatos que aconteceram. E ganham realce e interesse as previsões que astrólogos, tarólogos e outros adivinhos fazem sobre o ano que está começando. Não se trata de descartar, sumariamente, perspectivas para o futuro. A ciência trabalha com modelos, ancorados na realidade, no passado e na expectativa dos atores e agentes, para desenhar cenários prováveis. Empresas planejam seus investimentos com base em análises de risco que levam em conta fatores econômicos e políticos. Mas é conveniente sublinhar que as incertezas persistem, e ninguém, no fundo, tem certeza absoluta. Basta um olhar sobre as previsões que foram feitas para a economia brasileira há um ano e confrontá-las com a realidade atual para notar quanto elas erraram, e feio. Os adivinhos, entretanto, não se intimidam. Deitam falação, mostram sapiência e certeza baseados no movimento dos astros ou na indicação das cartas. Os palpites são genéricos e vagos – haverá uma guerra (ou duas) em algum lugar do mundo; morrerão líderes políticos e artistas famosos; acontecerão terríveis catástrofes naturais; o calor será intenso em todo o planeta (essa é fácil, até eu acertaria). Mesmo assim, as pessoas, de maneira geral, acompanham com interesse redobrado as tais previsões, e o que é mais preocupante, acreditam nelas. É o tal viés seletivo, que não nos escapa. Ouvimos uma dúzia de informações a nosso respeito, e nos espantamos com a exatidão de duas ou três, que confirmam o que de fato existe e acontece conosco. As demais são logo esquecidas e postas de lado. E assim cresce a credibilidade daqueles que se dedicam a realizar profecias e previsões. Adivinhar o futuro é coisa antiga. Todos, desde os caçadores-coletores da pré-história aos sofisticados executivos dos tempos modernos, gostariam de saber o que vai acontecer amanhã e nos próximos dez anos, seja para sobreviver, seja para ganhar mais dinheiro ou poder. Vã ilusão, porém. Mesmo os modelos matemáticos mais sofisticados, movidos a inteligência artificial ou outros artifícios, falham – e vão continuar falhando – se pretendem acertar o que vai ocorrer nos próximos meses e anos. A complexidade do mundo e dos indivíduos é gigantesca. Os fatores que interagem entre si são praticamente infinitos, afastando certezas. As religiões, justiça seja feita a elas, não buscam adivinhar o futuro, e buscam apenas a intercessão de Deus por todos os homens. Melhor do que acreditar em previsões e profecias é agir para mudar a nossa vida e o nosso mundo. Isso é, porém, é complicado e dá mais trabalho. Mais fácil, portanto, acreditar em signos, mapas astrais, cartas e búzios.