Imagem ilustrativa (Freepik) Um século atrás, a sociedade se animou com o advento dos jornais impressos populares e, em seguida, com a massificação dos aparelhos de rádio. Tempos depois, aplaudiu a chegada da TV e acreditou que o “mundo estaria na sua sala, todas as noites”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em 1995, a humanidade ficou estarrecida com as possibilidades da comunicação individual instantânea das tecnologias digitais em rede. Hoje, a pluralidade ciberespacial atinge expressiva parte da sociedade, recortando territorialidades, sentimentos, identidades, tempos e atividades. E mesmo a essência das pessoas. Todavia, a radical imersão na virtualidade não confirmou evolução cognitiva ou sensitiva e José Saramago advertiu: “A era das cavernas é a era atual, pois a imagem virtual obscurece a imagem autêntica”. Umberto Eco, em 2015, complementou: “As redes sociais deram voz à legião de imbecis”. Nessa linha, resta indagar se estaria a virtualidade promovendo uma densa alienação e solidão, já que todos migraram da era da escassa informação para a realidade com volumes infindáveis de dados. Pode-se dizer que o intenso acesso não incrementou o conhecimento das pessoas, proporcionando cultura, sabedoria, equilíbrio e humanismo. O que deu errado? As evidências indicam que, no coletivo ou isolado, deslumbrado ou avesso às tecnologias, a evolução informativa confirma Noam Chomsky, para quem mimeticamente a sociedade assimila acriticamente os “consensos” culturais massificadores a que é sutilmente submetida. Será que as “travas e cadeados” das celas do inconsciente humano foram irrecusavelmente abertas? Ao mirar na essência do raciocínio lógico, é importante focar na base comportamental do ser, destacando o irracionalismo das formas de consumo, com a gigantesca produção de lixo tóxico que produziram as seis gigantescas ilhas de lixo plástico boiando nos oceanos. Some-se a isso a conexão das bolhas sociais, pois ao se encantar com as próteses tecnológicas (verdadeiros ‘prolongamentos’ dos cérebros e membros humanos), a sociedade se iludiu com a sensação de estar sendo inserida em pertencimentos sociais amplos. De repente, num volume gigantesco de podcasts, miríade de atores ocupou canais de TV privados e nas infindáveis lives falam de tudo. Agora, os youtubers e influencers povoam as Ágoras virtuais, fazendo com que na Babel de selfies egóicos proliferem, sobretudo, narrativas exponenciadas com futilidades e banalidades expandidas ao infinito. Onde colocaram os sentidos? Como escapar disso?