Imagem ilustrativa (Freepik) Dia desses foi Dia dos Namorados. E por que se namora muito por aí é que o mercado achou por bem criar tal data. Assim, os casais encontram um motivo a mais para celebrar o amor, esticar os abraços, os beijinhos e otras cositas más… O mercado, por sua vez, aproveita para mercadorizar mais um sentimento. E está tudo bem. É a ocasião que faz o ladrão, seja ele de dinheiro, de beijos ou de corpos. O importante é que todos saiam felizes. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Mercado à parte, é bom namorar. É bom também comemorar o Dia dos Namorados. Não sei se a data teria o mesmo efeito sem o mercado. Mas o efeito está feito, e bem-aventurados os que têm fome e sede de comemorar. Ainda mais porque quase sempre esse é um dia frio. Suporta-se melhor as baixas temperaturas quando se tem ao pé de si um amor quentinho. Eu tenho o meu e comemorei ao modo do mercado, com presentes e jantar, e ao modo que nossos corações se desejam. Ao se aproximar o mês de junho, o Brasil fica um alvoroço só. As Festas Juninas abalam as nossas estruturas, mas ainda sobra um tempinho aos casais. É um alvoroço dentro de outro. É bonito ver os casais de todos os tipos comemorando. Depois das redes sociais, então, muita coisa passou a ser feita a céu aberto, sob luzes, lentes e câmeras. Dispensa falar da superficialidade, fingimentos e oportunismos em relacionamentos que se vê por aí. Atentemo-nos à pureza e ao amor genuíno que se manifestam. Para alguns, esta é uma das poucas datas em que se permitem ser românticos ou coração mole... É nesse dia que muitos se dão ao prazer de redigirem cartas, escreverem versos, trazendo de volta o poeta que um dia existiu. Só pode haver alegria numa festa dessa. Há ainda mais alegria quando se vê um primeiro amor nascer. Ainda que digam que coração é terra em que ninguém vai, há muitos jovens que vão e vão sem medo. Sou testemunha disso. Conto: neste último dia 12, pouco mais de 7 horas, mal eu havia começado minha primeira aula, o amor bateu à porta. Tinha as feições de um adolescente tímido que, auxiliado pela inspetora, pediu-me para entrar na sala. Assenti. Ele correu para o lado oposto. Mas logo voltou carregando um embrulho que transparecia um coração de pelúcia, uma caixa de bombom e uma caixinha vermelha. A emoção tomou conta da turma. Depois do silêncio, o presente alcançou as mãos e o coração de uma adolescente que, trêmula, ouviu um pedido de namoro. Foi um encontro rápido e singelo. Certamente a vergonha tentava contê-los, mas eles foram mais fortes. Um abraço rápido e um beijo no rosto foram suficientes para selar o momento. O moço partiu da sala sem olhar para trás. A moça ficou parada, rosto vermelho, coração pegando fogo. Todos sentimos. Segundos depois, ela abriu o embrulho. Dentro da caixinha havia um anel que lhe arrancou algumas lágrimas antes de pousar em seu dedo. O amor ainda insiste em nascer e conclama: vamos à luta que a vida é curta.