[[legacy_image_279524]] Na Capitania de São Paulo, para escoar produtos agrícolas do interior, principalmente açúcar e mercadorias, foi aberta uma passagem na descida da Serra do Mar até Cubatão, para passarem tropas de 60/80 mulas, conduzidas por tropeiros e que também traziam viajantes. Foi o primeiro corredor de exportação do Brasil. Levou dois anos a abertura conhecida como a Calçada do Lorena e usada de 1792 até o início da década de 1840, quando foi aberta a Estrada do Mar. Quem a construiu foi Bernardo José Maria de Lorena, filho de D. Thereza de Távora, casada com D. Luís Bernardo de Lorena. Os Távora em Portugal eram nobres, mas foram implicados no atentado ao rei D. José I, que voltava de um encontro com D. Thereza de Távora. O marido foi acusado e toda a família presa e executada por ordem do Conde de Oeiras (depois Marquês de Pombal). Só escaparam dois: um que fugiu para o Brasil e D. Thereza, que teve um filho que foi Bernardo José Maria de Lorena. Adotado por D. Nuno Gaspar de Lorena, tenente-general e governador das armas do Alentejo, e sua segunda esposa, D. Maria Ignácia da Silveira, adotou o sobrenome Silveira por gratidão. Quando fez 18 anos, a rainha, D. Maria I, filha de D. José I, o nomeou governador-general da Capitania de São Paulo, que administrou de 1788 a 1797, com muita competência. Regulamentou a economia, incentivou a produção açucareira, transporte, combateu a varíola, apoiou Vilas, protegeu o meio ambiente, a pesca e fauna, combateu a saúva, mandou fazer a primeira planta da cidade de São Paulo. A calçada foi por nós percorrida três vezes a pé, com alunos e pessoas de espírito aventureiro. Dentro dela só se vê o céu através de altas árvores, que encobrem a Calçada. A caminhada é feita em fila indiana e para no Padrão do Lorena, quando a calçada chega à Via Anchieta. As pedras trabalhadas, para ficarem lisas, foram ajustadas perfeitamente para um andar seguro. Elas foram compradas, e eu imagino que vieram de Santos, do morro que pertenceu ao Mosteiro de São Bento – atual museu de Arte Sacra de Santos (MASS), onde trabalhei 26 anos, graciosamente. Descidas inesquecíveis. Tirei fotos do Padrão de Lorena, que tem azulejos com a figura do Lorena, por José Wast Rodrigues, e colocada por Victor Dubugras, em 1922. Foi um dos monumentos construídos por Washington Luís, então governador do Estado, para comemorar o Centenário da Independência. Mas aí é outra história... Depois de governar a Capitania Paulista, Bernardo José Maria foi nomeado no mesmo cargo na Capitania de Minas Gerais. Anos mais tarde, foi vice-rei do Estado da Índia, sempre nomeado pela rainha, D. Maria I. Consta que faleceu em 1818, no Rio de Janeiro, aos 62 anos. Se era filho de D. José I com D. Thereza de Távora, seria herdeiro presuntivo ao trono, mas as honrosas nomeações o mantiveram sempre longe de Portugal. Por isso, para resolver a questão da hereditariedade só DNA mesmo... Agora, século 21, restaurou-se o Conjunto Estrada do Mar e Calçada do Lorena. Pode-se agendar a experiência em grupo, que é feita com guia especializado. Vale a pena!