Heric Hartmann (1922 – 1993), piloto de caça alemão na 2ª Guerra Mundial assim resumiu o cenário de uma guerra qualquer: “A guerra é um lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam entre si, por decisões de velhos que se conhecem, se odeiam, mas não se matam” (Reprodução/Unsplash) “Tanta tormenta, tanto dano / tanta guerra, tanto engano”, são estrofes do poema Os Lusíadas (1572), que nos servem de inspiração para descrever um fato histórico bastante emblemático cujo resultado esperado e lógico poderia mudar o rumo da História, a partir da Batalha de Waterloo (1815). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tormentas e danos naturais estão se avolumando por ações humanas que provocam um desequilíbrio ambiental enorme, mundo afora. Mas ainda perdem para a estupidez das guerras, com seus enganos desastrosos. Heric Hartmann (1922 – 1993), piloto de caça alemão na 2ª Guerra Mundial assim resumiu o cenário de uma guerra qualquer: “A guerra é um lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam se matam entre si, por decisões de velhos que se conhecem, se odeiam, mas não se matam”. Nas guerras são cometidos muitos enganos e um deles nos chama a atenção por estar descrito em um capítulo inteiro (capítulo V) do livro Fora de Controle, de Erik Durschmied (1930-), Editora Ediouro, 2003. O livro contém análises pontuais sobre dezessete casos desastrosos mundo afora, desde a Guerra de Troia (1184 a.C.) até a Guerra do Golfo (1991). Um engano simples, porém, decisivo, foi cometido pelo lendário comandante da cavalaria de Napoleão, Maréchal de France, Michel Ney, na Batalha de Waterloo (18 de junho de 1815). No dia anterior, Ney subiu a encosta da colina do Monte St. Jean onde estava a tropa de Wellington para realizar o que se chama de reconhecimento da posição e do valor da tropa inimiga a ser enfrentada. Surpreendeu-se com os canhões ingleses colocados adiante da tropa e apontados para o campo plano onde iria ocorrer a batalha no dia seguinte. Ney ultrapassou a posição dos canhões por mais de hora e meia e não teve o discernimento de ordenar a colocação de pregos sem cabeça nos olhais dos canhões ingleses, inutilizando-os. Segundo o autor do livro Fora de Controle, Ney “era capaz de proezas incríveis e audaciosas, mas, por outro lado, impetuoso e imprudente”. E ironiza, encerrando o capítulo V do livro com a seguinte colocação: “O fator decisivo em Waterloo foi bastante irônico. Bastaria alguns pregos sem cabeça (e alguns soldados os tinham, assim como os martelos necessários) – e tudo teria sido diferente”. Napoleão tinha tudo para vencer com facilidade a Batalha de Waterloo, mas as condições meteorológicas dificultaram a maneabilidade dos canhões franceses, enquanto a artilharia inglesa estava pronta desde a véspera da batalha. A garantia de uma vitória esmagadora estava nas mãos do Maréchal de France, que a desperdiçou, por conta de um detalhe quase insignificante. Na guerra não basta a superioridade de meios e homens. A astúcia, o ‘pagar para ver’ pode estar no movimento da primeira pedra, tal qual acontece, muitas vezes, em um jogo de xadrez. Em ambiente em que impera a estupidez dos homens, “o acaso e a incerteza são dois dos elementos mais comuns e mais importantes na guerra” e isto nos preocupa, pois sabemos como elas começam, mas nunca como realmente acabam. Muitas vezes, no entanto, um erro de abertura pode mudar a sorte de muitos empreendimentos, em especial o resultado de uma batalha campal. Como seria o mundo hoje, se Napoleão tivesse vencido em Waterloo? *Elcio Rogerio Secomandi. Membro da Academia Santista de Letras.