No centro comercial de São Vicente temos a Praça Coronel Lopes, ou simplesmente Praça do Correio, como é popularmente conhecida. Existe uma história interessante, que muitos não conhecem: José Lopes dos Santos, mais conhecido como Juca Lopes, nasceu em Santos em 15 de julho de 1836, de família conceituada e de posses. Mudou-se para São Vicente e, aos 34 anos, casou-se com Gabriela Carneiro e passou a residir na Rua Frei Gaspar, 15. Nesse terreno, mais tarde, foi construída a mansão que serviu de residência a Gustav Anton von Prieselwitz, a Casa do Barão, hoje sede do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente. Ainda existe, em ruínas, a casa onde viveu o Cel. Lopes, no período de 1870 a 1896. Vamos iniciar uma volta ao passado, às décadas de 60 e 70. Podemos considerar que era uma praça bucólica, com jardins de plantas rasteiras, colocadas em patamares, ao lado de árvores frondosas, muitos bancos de madeira e ferro e, na parte central, o prédio dos Correios e Telégrafos, que foi inaugurado em 1951. Antes de 1951 existia um coreto, que foi substituído pelo prédio dos Correios. Chamava a atenção haver um prédio no meio de uma praça, fato inédito na região, pois normalmente havia monumentos e bustos. No final da década de 70, com várias mudanças políticas, a praça foi modernizada. Destruíram as árvores e as alamedas, os bancos de madeira e de ferro, e o prédio dos Correios foi reformulado, tornando-se o ponto marcante da praça. Ao seu redor, lembrando a década de 70, ficaram apenas a Escola do Povo, conhecida como Grupão, o Clube de Regatas Tumiaru e o Banco Bradesco. Outros comércios marcaram o seu entorno naquela época: a Escola de Datilografia Acosta, onde tenho um diploma de datilógrafo, a Alfaiataria Canalonga, famosa na praça — até o Pelé vinha fazer seus ternos —, a Loja Pergaminho, que existe até os dias atuais, e, na esquina, o famoso Bar Pata Pata. Para fazer um lanche, havia a Padaria Bandeirantes, famosa pelos pães frescos a toda hora. Para materiais de construção, tinha o Metrópole, depois passou para a Drogaria O Drogão e, hoje, há uma drogaria no local. Assim é a história da Praça do Correio. *Mario Azevedo Alexandre. Escritor, jornalista, membro da Academia Santista de Letras, Academia Vicentina de Letras, Artes e Ofícios e IHGSV