(Carlos Nogueira/AT/Arquivo) O Brasil que produz, exporta e cresce passa, inevitavelmente, pelos nossos portos. E isso não é apenas um discurso político, mas um fato concreto da nossa economia: mais de 90% da corrente de comércio exterior do País é movimentada por vias portuárias. Nesse cenário, o Porto de Santos se destaca como o maior e mais estratégico da América Latina. Como deputada federal por São Paulo e vice-presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara, venho acompanhando de perto os desafios e as oportunidades do setor. Agora, ao integrar a comissão especial que revisará a Lei dos Portos, assumo o compromisso de representar com firmeza os interesses da nossa região, dos trabalhadores e do desenvolvimento nacional. Minha ligação com os portos, no entanto, não começou na política. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, atuei por 25 anos como jornalista, cobrindo temas de infraestrutura e economia portuária. Estive em diversas comitivas de empresários e autoridades do setor, visitando os portos mais modernos e eficientes do mundo – de Roterdã, na Holanda, a Xangai, na China. Essa vivência me deu a certeza de que modernização e valorização do trabalhador podem caminhar juntas. E devem. Não se trata apenas de revisar um texto legal. Estamos discutindo o futuro da atividade portuária, da contratação de mão de obra, da governança e da autonomia federativa. Qualquer proposta que afete esse setor precisa ser amplamente debatida, de forma transparente, com aqueles que fazem o porto funcionar todos os dias. É legítimo que se busque modernização, segurança jurídica e atração de investimentos. Mas isso não pode significar a precarização do trabalho nem a retirada de direitos históricos dos portuários. Tampouco é aceitável que as decisões sejam centralizadas em Brasília, ignorando a realidade dos municípios portuários e das comunidades que dependem diretamente dessa atividade. Tenho conversado com sindicatos, operadores, trabalhadores avulsos e empresários. A mensagem é clara: todos querem avançar, mas com responsabilidade social. Querem eficiência, mas sem abrir mão do respeito à dignidade do trabalho. Querem um novo marco legal que seja construído a muitas mãos, com participação real de quem entende o dia a dia do cais. O porto não é apenas infraestrutura. Ele representa empregos, sustento, desenvolvimento regional e identidade para milhões de brasileiros. Especialmente para nós, santistas, o cais é parte da nossa história - e também do nosso futuro. Como vice-presidente de uma das comissões mais estratégicas da Câmara e como representante de uma região portuária, estou pronta para lutar por um texto equilibrado, justo e sensível à realidade de quem está na linha de frente. A revisão da Lei dos Portos precisa fortalecer o setor, mas também valorizar as pessoas que fazem dele um pilar da economia nacional. Que esta comissão especial não seja apenas um rito burocrático. Que seja a oportunidade de construir, em conjunto, uma legislação moderna, eficiente e, acima de tudo, humana. *Rosana Valle. Deputada federal (PL-SP), vice-presidente da Comissão de Viação e Transportes da Câmara dos Deputados e integrante da Comissão Especial de Revisão da Lei dos Portos