(Lula Marques/ Agência Brasil) Somos naturalmente conservadores e saudosistas. Pelo menos a grande maioria de nós o é, ainda que você, pessoalmente, não se veja dessa forma. Nossa tendência natural é nos acomodarmos. Afinal, “em time que está ganhando não se mexe”. Preferimos conservar o cenário atual diante das mudanças. São justamente as lideranças, sejam de direita ou de esquerda, que se destacam ao desafiar essa lógica, incentivando as pessoas a “sair da zona de conforto”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Fala-se muito, hoje, da força dos conservadores, tanto no Brasil quanto em outros países. Mas, na verdade, essa sempre foi a tendência natural das sociedades: conservar. Os conservadores sempre foram fortes; agora apenas ganharam mais voz e mais espaço graças às redes sociais e a lideranças que assumem esse discurso. Ao observar os movimentos conservadores, esse raciocínio me vem à mente. Há quem manifeste saudades de Pinochet, no Chile; de Franco, na Espanha; de Mussolini, na Itália. Critica-se a Revolução Francesa e fazem-se elogios ao período imperial, afirmando que dom Pedro II era um grande estadista. Consigo compreender alguém que se diga conservador na Inglaterra ou nos Estados Unidos, países cujas instituições alcançaram elevado grau de estabilidade. Mas, no Brasil, conservar o quê? A fome? A insegurança? A desigualdade? A precariedade da educação? Aqui, talvez precisemos ser mais revolucionários ou, ao menos, mais progressistas. Talvez uma das maiores limitações da nossa democracia, desde a redemocratização, tenha sido nunca termos formado um Congresso efetivamente progressista. Em sua maioria, ele sempre foi conservador, refletindo uma característica presente não apenas na sociedade brasileira, mas em muitas outras. O chamado centrão surgiu durante a Assembleia Constituinte e, desde então, permanece como fiel da balança em praticamente todos os governos, sejam eles de direita ou de esquerda. E essa balança costuma pender para o mesmo lado: o da preservação do status quo. A própria expressão ‘centrão’, amplamente utilizada pela imprensa, acaba por suavizar sua identidade política. Afinal, ninguém costuma dizer em campanha: “Sou do centrão e não abro mão disso”. Por isso, é importante que o eleitor conheça os partidos que normalmente compõem esse bloco, basta pesquisar aí no Google e você descobrirá os partidos por trás deste nome: centrão. Se o candidato ao Congresso em quem você pretende votar pertence a um desses partidos, vale a pena conhecer sua atuação parlamentar e suas posições antes de tomar sua decisão. Mude seu voto e, com ele, mude o Congresso. Paulo Prol Medeiros. Consultor e filósofo.