(Carlos Nogueira/AT) Com 7 km de extensão, nossas praias sempre trazem paisagens diferentes e muito orgulho para os santistas e turistas que amam essa cidade. Como práticos, nossa missão é trabalhar com toda segurança, proteger e respeitar diariamente a natureza privilegiada de nossa cidade banhada pelo Oceano Atlântico. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tudo isso para dizer que conferi com muita tristeza os resultados do Programa Bandeira Azul, um prêmio ecológico, voluntário, concedido a praias, marinas e embarcações de turismo. É a maior premiação global nessas áreas e destacou seis estados brasileiros: São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Bahia, Alagoas e Ceará. Não é fácil fazer parte desses grupos. É preciso atender aos 34 critérios estabelecidos pela Foundation for Environmental Education (FEE), demonstrando compromisso com a sustentabilidade e a preservação ambiental. Inclui, além da gestão ambiental, qualidade da água, educação ambiental, segurança e serviços, turismo sustentável e responsabilidade social. Então, voltando à minha tristeza acrescida de decepção, conferi que apenas a Praia do Tombo, em Guarujá, estava na relação em todo o Estado de São Paulo. O Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, tem 12 praias premiadas com o selo internacional. Esse selo não é apenas uma premiação institucional. Ele referenda os cuidados dos municípios com todo o ecossistema da região, principalmente a qualidade das praias oferecida aos moradores e turistas. Acredito que receber esse selo cada vez será mais difícil. Leio o relatório recente “Fragmentos da destruição – Impactos do Plásticos na Biodiversidade Marinha Brasileira” e os dados são assustadores: o Brasil é o oitavo país do globo e o maior poluidor da América Latina no descarte de plástico no oceano. São 1,3 milhão de toneladas lançadas anualmente. E nossa região? Os números acompanham a triste realidade. Segundo o Instituto Mar Azul (IMA), em matéria divulgada pelo G1, o plástico continua sendo o lixo mais recolhido em ações de limpeza realizadas nas praias de Santos, correspondendo a 47 mil fragmentos do total de 117 mil removidos em um ano. Se serve de consolo, pelo menos o Iate Clube de Santos figurou na relação das marinas nessa última edição. Dá para imaginar porque não chegamos nem perto do selo. Faltam ações para manter a qualidade das praias, para conservar e ampliar a infraestrutura da orla e, principalmente, realizar atividades de educação ambiental para conscientizar crianças, jovens e adultos. O desconhecimento é um dos grandes vilões do meio ambiente. Em novembro será realizada a cerimônia nacional de entrega da Bandeira Azul em Salvador, na Bahia. Pena que as praias de Santos não estejam em sintonia com esse que é um dos mais respeitados selos de qualidade ambiental do mundo. Como esses resíduos vão impactar a vida humana e os organismos marinhos? Se começarmos agora o trabalho para entrar nesse clube privilegiado do bem, já será tarde, mas precisamos ingressar. Como? Investindo na melhoria desse setor porque todos ganharão: a economia local, geração de mais emprego e renda e turistas engajados com a causa da sustentabilidade. Vamos cobrar das autoridades, dos políticos, das instituições ligadas ao oceano, a defesa de uma política voltada para criar programas em defesa do nosso mar, da nossa gente, da nossa região. Fomentar a vida no planeta é dever de todos. *Bruno Tavares. Vice-presidente da Praticagem de São Paulo