<p class="PDq2pG_selectionAnchorContainer" data-end="507" data-start="143">Tem uma frase que ouço com frequência em rodas de conversa e palestras sobre violência doméstica: “Por que ela não foi embora?”. É uma pergunta importante que soa quase óbvia para quem nunca precisou respondê-la, de fato. Ir embora, na vida real, requer dinheiro no bolso, um lugar para morar, uma forma de sustentar os filhos e, principalmente, uma rede de apoio.</p> <p data-end="648" data-start="509">E é exatamente aí que a Casa da Mulher de Santos está acertando a mão, com a capacitação que dá a elas a autonomia de que tanto necessitam.</p> <p data-end="984" data-start="650">Neste segundo semestre, a unidade oferece mais de 600 vagas em cursos gratuitos até o fim do ano, passando por confeitaria e salgados, tecnologia, beleza e educação financeira, em parceria com o Sebrae. Isso sem falar do programa municipal Emprega Mulher, lançado em março, que joga luz sobre as áreas da construção civil e portuária.</p> <p data-end="1449" data-start="986">Pode parecer, à primeira vista, que estamos falando de duas coisas separadas. De um lado, o atendimento às vítimas; de outro, aulas de culinária ou de vistoria de contêiner. Mas quem trabalha com esse tema sabe que não é bem assim. Capacitação profissional é política de enfrentamento à violência na veia. Porque a pergunta que realmente importa não é “por que ela não foi embora?”, e sim: “Ela tinha para onde ir?”, “Quais são suas condições para sair de casa?”.</p> <p data-end="1733" data-start="1451">Uma mulher que sai de um relacionamento violento não precisa só de segurança na hora da denúncia. Ela precisa de segurança na vida inteira que segue depois disso. Precisa pagar aluguel, comprar comida, cuidar dos filhos, sentir-se capaz de recomeçar sem depender de quem a machucou.</p> <p data-end="1908" data-start="1735">É por isso que um curso de confeitaria, de corte e costura ou de vistoria de contêiner, lado a lado com o atendimento jurídico e psicológico, faz mais sentido do que parece.</p> <p data-end="2186" data-start="1910">Não é sobre ensinar uma mulher a fazer bolo. É sobre devolver a ela a sensação de que consegue se sustentar sozinha, de que tem uma profissão, de que seu valor não depende da aprovação de ninguém. E isso muda tudo. Inclusive a chance de ela romper o ciclo de violência de vez.</p> <p data-end="2481" data-start="2188">Se a gente quer, de verdade, um futuro em que as mulheres não precisem responder à pergunta “por que ela não foi embora?”, talvez o caminho comece exatamente aqui, ao oferecer, além do acolhimento, os meios para que ir embora deixe de ser um salto no escuro e passe a ser uma escolha possível.</p> <p data-end="2572" data-is-last-node="" data-is-only-node="" data-start="2483"><em data-end="2497" data-start="2483">*Nina Barbosa</em>. Secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos de Santos</p>