(Divulgação/PMSV) Em São Vicente, na região em que o Mar Pequeno se encontra com a Baía de Santos, está localizada a Ponte Pênsil. Construída na Alemanha em 1912, projetada pelo engenheiro sanitarista Saturnino de Brito com a finalidade de lançar esgotos em alto-mar, foi inaugurada em 1914. Saturnino de Brito, preocupado com as epidemias da época que causavam alta mortalidade na população da região, desenhou a ponte que teria várias funções: transporte de pessoas, escoamento, distribuição de produtos e lançamento de dejetos em alto-mar. A ponte, além de ser uma obra-prima de engenharia do início do século 20, marcou o início da infraestrutura sanitária moderna no Estado de São Paulo. Feita de cabos de aço trançados e estrados de madeira sobre as águas marinhas, a Ponte Pênsil sintetiza a transição do Brasil agrário e assolado por epidemias para um país urbano em crescimento industrial. O Estado de São Paulo vivia a era de ouro da cafeicultura. O ouro verde produzido no rico interior paulista escoava pela estrada de ferro em direção ao Porto de Santos, de onde partia para abastecer os mercados norte-americano e europeu. A pujança econômica enfrentava um inimigo invisível: as doenças que causavam vários prejuízos à população. Nas últimas décadas do século 19, a cidade de Santos e a vizinha São Vicente ganharam o título de “portos da morte”. A região tinha muitos cortiços insalubres, regiões pantanosas e canais sem drenagem, propiciando o habitat perfeito para a proliferação de vetores de doenças endêmicas e epidêmicas, como a febre amarela, cólera, varíola e peste bubônica. Navios estrangeiros frequentemente recusavam-se a atracar no Porto de Santos devido ao risco de contágio das tripulações. As exportações corriam risco de corte, ameaçando o crescimento do Estado. Com a abolição da escravatura, houve um maior fluxo de europeus que chegavam para trabalhar no país, principalmente no porto e nas fazendas de café. Em meio à crise, o Governo do Estado de São Paulo tomou a decisão de criar a Comissão de Saneamento de Santos e São Vicente, liderada pelo brilhante engenheiro sanitarista Francisco Saturnino Rodrigues de Brito. O engenheiro estudou a região e elaborou um plano revolucionário para a época. Em vez de apenas tratar os doentes, era importante reordenar o espaço urbano, separar as águas pluviais do esgoto doméstico e afastar os efluentes das áreas habitadas e do porto. Foram construídos canais para drenagem das águas pluviais e criada uma rede tubulada de esgoto. A solução encontrada para despejar os esgotos foi na Ponta de Itaipu, no atual município de Praia Grande, onde as correntes marítimas garantiriam a dispersão dos resíduos para o alto-mar, longe das praias e das zonas urbanas das cidades. Para levar os esgotos até essa região, era preciso construir uma travessia permanente sobre a água, e aí nascia a Ponte Pênsil de São Vicente. *Eduardo Ribeiro Filetti. Médico veterinário, mestre em Saúde Pública, professor universitário e membro das Academias Santista, Vicentina e Praia Grandense de Letras