(FreePik) Sabemos que a linguagem, o sonho e a imaginação, matérias brutas dessa arte da palavra, são condições da humanidade. E a poesia aqui se inclui e tem lugar cativo. Isso desde os tempos antigos, pois o filósofo grego Aristóteles, em sua obra A Poética, já dizia: “A poesia mais fina e mais filosófica do que a história; porque a poesia expressa o universo, e a história somente o detalhe”. Com essa introdução, começamos a sonhar com a possibilidade das crianças e jovens terem conhecimento dessa matéria nas escolas públicas de Santos, desde que a Câmara aprove o Projeto de Lei 68/2025, de autoria do vereador Francisco Nogueira (PT). A propositura cria a Lei Vicente de Carvalho, o Poeta do Mar, que institui ações de incentivo e fomento à leitura de poesias, reconhecendo a importância dessa matéria como meio de expressão cultural e artística, e valorizando o patrimônio cultural da comunidade escolar. Se for, de fato, aprovada, haverá a adoção não só de leituras, mas também produção de poesias, nos vários níveis, mas atendendo a critérios de idades e nível de escolaridade. Essa iniciativa é das mais importantes, pois vem cobrir lacunas de matérias em que os jovens estão muito carentes, pois lhes faltam bagagens, apenas adquiridas pela leitura de qualquer gênero literário, e a poesia seria um canal para a aquisição de outros gostos, como romances, contos, crônicas e até outras formas de escrita. A inclusão dos aparelhos eletrônicos veio roubar-lhes esse prazer pelos livros. Agora, com a proibição do uso dos celulares nos espaços da escola, essa medida seria uma opção interessante, para ocupar as lacunas deixadas pelos celulares. E por que Lei Vicente de Carvalho, perguntariam? Primeiro que ele nasceu em Santos, foi um dos nomes mais expressivos da nossa poesia, seus sonetos falam do nosso oceano e, ainda, que esse autor cantou em versos e prosa a cidade e suas belezas naturais, chegando a ser celebrado por outros nomes da nossa literatura, como Euclides da Cunha e Mário de Andrade. Mas os estudos não vão ficar somente no nome de Vicente de Carvalho, mas de outros tantos santistas, já que a cidade tem revelado muitos representantes da poesia, que extrapolaram o território local, ganhando notoriedade nacional e internacional. Não podemos deixar de lembrar de outros nomes de poetas santistas, como Martins Fontes, Patrícia Galvão, Roldão Mendes Rosa, Narciso de Andrade, Rui Ribeiro Couto, Maria José Aranha de Rezende e tantos mais. Clamamos para que os vereadores santistas entendam como justa e meritória essa proposta, para entrar em vigor no menor prazo possível. Nossos jovens precisam da magia e, como bem dizia Guimarães Rosa, romancista e poeta, “a poesia é uma irmã tão incompreensível da magia…”. *Eunice Tomé. Jornalista e escritora