As discussões sobre o envelhecimento da população brasileira e os seus impactos no tecido social não são recentes, mas ganharam novos contornos após a divulgação do último Censo do IBGE, que revelou uma queda relevante da natalidade. Desde quando o Censo teve início, em 1872, é a primeira vez que o Brasil registra um índice inferior a 1%. É sinal do começo de um processo de redução da população, com implicações para a força de trabalho em um futuro próximo. Uma taxa de natalidade mais baixa pode colocar pressão adicional sobre a previdência social e a saúde. Com menos trabalhadores contribuindo para esses sistemas, os recursos disponíveis para apoiar os idosos tornam-se mais escassos. Como a nossa taxa de natalidade chegou a 1,65 filho por mulher em 2020, similar à de países ricos, o Brasil deveria começar a discutir políticas públicas para aumentar o número de nascimentos – o que não parece estar ocorrendo. Essas discussões, historicamente, são colocadas na esfera individual e familiar, como se não tivessem impacto social. No entanto, a percepção pública sobre o tema vem mudando. A pesquisa “Maternidade e Paternidade Não Planejada”, feita junto a jovens atendidos por programas e ações do Espro (Ensino Social Profissionalizante) entre 2022 e 2023, mostra não apenas que a população de 14 a 24 anos de idade está ciente da situação, como também acredita que mudanças profundas na sociedade são necessárias para termos um Brasil rejuvenescido nas próximas décadas. Dentre os jovens consultados, 95% acreditam que o pai deve se envolver na rotina das crianças e 84% acham que o conceito de família deve ser ressignificado, tendo em vista uma sociedade mais justa e igualitária. Conforme levantamento do Datafolha feito no ano passado, metade das mães brasileiras são mães solo – 18% desempregadas e 44% com renda de até R\$ 1.212 mensais. O Brasil precisa começar a entender como será o futuro do trabalho, pois os desafios são muitos – além da taxa de natalidade, precisamos considerar habilidades com as novas tecnologias e substituição de mão de obra por inteligência artificial. O desenvolvimento do país vai depender cada vez mais de novos profissionais talentosos, com grande capacidade de adaptação e dispostos a aprender ao longo das carreiras. Hoje, o País tem políticas públicas isoladas nesse sentido. A Lei da Aprendizagem, por exemplo, é uma grande impulsionadora do primeiro emprego. Segundo dados do IBGE, em 2022 o Brasil tinha 10,9 milhões de indivíduos de 15 a 29 anos sem acesso ao estudo e sem acesso ao trabalho. Entre ex-aprendizes do Espro, esse índice é de apenas 8% – e 60% seguem trabalhando e estudando. É preciso discutir desde já a igualdade de gênero, medidas que facilitem as jornadas parentais e o estímulo a políticas públicas que realmente apoiem a educação, a transformação e a inclusão dos jovens na vida profissional e cidadã.