(Pixabay) Ao refletir sobre como estar e chegar perto dos 80 com lucidez mental e capacidade de movimentos, sinto um dever de gratidão, pois, a vida é uma dádiva, especialmente quando vivida de maneira intensa e independente. Agradeço aos meus pais por me proporcionarem essa chance. Ao sr. José Barbosa, que nunca conheci, pois faleceu antes que eu completasse um ano, e que deixou um legado de orgulho nas histórias que meus irmãos compartilharam sobre sua vida e envolvimento em causas sociais. À inesquecível dona Maria Gomes Barbosa, minha mãe, sou eternamente grato por tudo o que foi para mim: um anjo que habitou a Terra e deixou sua luz em meu coração. Viúva aos 35 anos, sem recursos e vivendo em um porão no Morro Pacheco, ela conseguiu educar e orientar quatro filhos, dedicando-se totalmente à sobrevivência e ao bem-estar da família. Dedico minha eterna admiração e carinho aos meus irmãos; sou grato a cada risada, cada conselho e por serem a família escolhida por Deus para mim. Hoje, quase octogenário, reflito sobre a transitoriedade da vida e a inevitabilidade da morte, pois é ela que nos dá a convicção de que o viver significa uma estadia temporária no planeta Terra. Longe de ser uma etapa isolada, a velhice é uma continuação da adolescência, da juventude e da maturidade, exigindo que se valorize as experiências vivenciadas, e que nelas sejam encontradas lições para o presente, de modo a desfrutar com alegria cada momento vivido. Refletir sobre o passado, presente e futuro nos obriga a ter consciência do que somos, do mundo que nos cerca e entender que o sobreviver é uma jornada contínua de aprendizado. Ao nos depararmos com desafios emocionais, ou aqueles prosaicos, oriundos da dificuldade de atravessar uma rua, ou de conectar-se aos serviços informatizados, colocamos a prova o aprendizado acumulado ao longo do tempo. Melhor dizendo, o mundo do idoso em maior ou menor grau é moldado pela memória, pelos afetos, pensamentos, ações realizadas e lembranças guardadas, que o idoso cultiva e preserva como único guardião. Relembrar é salutar, pois na rememoração o longevo reencontra a própria identidade, os anos sucedidos, as brincadeiras de infância, os vultos, as vozes, os gestos dos amigos de escola e os lugares da infância que permanecem intocáveis nos lugares da memória, e que ao percorre-la, o idoso tem a sensação da presença dos que partiram e que se perfilam ao seu redor em numero cada vez maior, e isso, não pode ser extinto, como nunca tivesse sido visto e apagado. *Engenheiro, advogado e mestre em Direito Ambiental