(FreePik) Perder e ganhar são movimentos inevitáveis da vida. No futebol, nas urnas, na avenida, nos concursos, no trabalho e, de forma mais profunda, na própria existência, esses dois verbos moldam caráter, maturidade e humanidade. No futebol, seja numa final de Copa ou numa pelada de domingo, ganhar é êxtase coletivo; perder é silêncio, análise e, muitas vezes, reconstrução. Times campeões aprendem a manter a disciplina; derrotados, a corrigir rotas. O placar dura 90 minutos, mas o aprendizado pode durar décadas. Nas eleições, vitória e derrota carregam pesos democráticos. Quem ganha recebe a responsabilidade de governar para todos, inclusive para quem votou contra. Quem perde, quando respeita o resultado, fortalece as instituições. A alternância de poder é, em si, uma vitória da sociedade. No desfile de uma escola de samba, o título é consagração de um ano inteiro de trabalho. Porém, as que não levam o troféu também entregam arte, cultura e identidade. Ganhar é reconhecimento; perder não apaga a beleza apresentada na avenida. Nos concursos públicos, a aprovação simboliza disciplina e renúncia recompensadas. A reprovação, embora dolorosa, muitas vezes ensina método, persistência e autoconhecimento. Muitos aprovados carregam no currículo várias tentativas frustradas. No emprego, promoções e conquistas salariais representam crescimento. Já a perda de uma vaga pode abrir caminhos inesperados, forçar reinvenções e revelar talentos ocultos. O fracasso profissional raramente é definitivo; frequentemente é transição. Por fim, a perda de familiares e amigos é a única derrota sem revanche. Não há segundo turno, nova prova ou temporada seguinte. Aqui, ganhar assume outro significado: ganhar memórias, valores e amor compartilhado. O luto ensina que o verdadeiro triunfo da vida não está em vencer os outros, mas em ter vivido intensamente ao lado de quem amamos. Ganhar celebra momentos; perder constrói profundidade. Entre vitórias e derrotas, formamos nossa história e é nela que reside o verdadeiro resultado, pois como já dizia Elis Regina em magistral letra e música de Guilherme Arantes: “Nem sempre ganhando. Nem sempre perdendo. Mas, aprendendo a jogar”. * Marcus Aurélio de Carvalho. Advogado e portuário aposentado