Imagem ilustrativa (Freepik) Progressistas x conservadores; esquerda x direita; petistas x bolsonaristas. São várias as formas de nos referirmos aos campos em disputa, mas penso que nenhuma delas dá conta da complexidade do cenário. Eu tive um diretor inglês que dizia: “Perception is reality”, ou seja, “a percepção é a realidade”. De fato, há um ponto filosófico aí, pois aquilo que nossos sentidos captam torna-se, para nós, a nossa realidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tendo sido gerente de uma multinacional focada objetivamente em resultados, fui treinado a não confiar apenas na percepção, mas a buscar os dados e os fatos — sem, no entanto, desconsiderar qual era a percepção, especialmente a do cliente. Tínhamos registros estatísticos de que as ligações dos clientes eram atendidas em até um minuto, mas, ao conversar com eles, continuavam reclamando de “esperar” para serem atendidos. A percepção do cliente não havia mudado. Vivemos algo parecido hoje. Observando os números da economia — inflação, PIB, desemprego, dólar, fome etc. — vemos que o momento é relativamente bom. No entanto, a percepção do “cliente”, o eleitor, não é essa. Os fatos também podem ser apresentados ou interpretados de forma distorcida nesta ou naquela direção, mas isso faz parte do jogo e do debate. Aqui mesmo na nossa região, a Baixada Santista, por mais que pesquisas indiquem uma economia aquecida, a percepção, diante do número de pessoas em situação de rua — que parece apenas crescer — leva muitos a pensar que algo está errado com os dados. Iniciativas como o Bolsa Família começam a ser questionadas, pois muitos dos que circulam pelas ruas possuem algum tipo de benefício, seja o próprio programa ou outro auxílio. Estaríamos, indiretamente, incentivando que permaneçam na rua? Os especialistas dizem que não, baseados em dados, mas a percepção do eleitor é outra. Cabe, portanto, procurar os fatos — sem deixar de questioná-los. A quem interessa que algo seja divulgado dessa forma? Que fato foi omitido, e por quê? Diversificar as fontes também é fundamental. Ando pela rua e vejo pessoas com o olhar imerso nas telas, rolando interminavelmente vídeos por horas. E não nos enganemos: todo vídeo quer, no fundo, nos influenciar de alguma maneira. Penso no impacto que tem na percepção que as pessoas têm da realidade em que vivem. Em breve entrarão no ar as propagandas políticas: os da situação com vídeos coloridos, gente sorrindo, músicas alegres e dias ensolarados; os da oposição com imagens em preto e branco, música fúnebre e cenas de pobreza e desespero. Fique atento para não ser manipulado.