Porto de São Sebastião tem profundidade natural do canal de navegação entre 25 e 42 metros, enquanto em Santos não passa de 15 metros. (Divulgação/Semil) O debate sobre infraestrutura portuária no Brasil costuma associar relevância econômica ao tamanho dos portos e ao volume de cargas movimentadas. Embora compreensível, essa lógica já não responde às necessidades de um sistema logístico moderno, integrado e resiliente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A competitividade brasileira depende não apenas de grandes complexos portuários, mas de uma rede diversificada e complementar, capaz de atender diferentes cadeias produtivas e regiões. Nesse contexto, os portos de pequeno e médio porte exercem papel estratégico. Sistemas excessivamente concentrados são mais vulneráveis. Quando um elo é interrompido, os impactos se espalham rapidamente pela economia. Por isso, países que buscam fortalecer sua logística investem também em redes portuárias distribuídas, ampliando eficiência e capacidade de resposta. Os portos regionais não concorrem com os grandes terminais: eles os complementam. Em cidades de menor porte, geram empregos, atraem investimentos, fortalecem cadeias produtivas e conectam economias locais aos mercados nacional e internacional. O Porto de São Sebastião representa esse modelo. É estratégico para cadeias produtivas paulistas e há diferença entre ser grande em volume e ser indispensável em função. Os benefícios vão além da movimentação de cargas. Investimentos portuários impulsionam mobilidade, segurança viária, qualificação profissional e novos empreendimentos, tornando-se vetores de desenvolvimento econômico e social. Essa agenda ganha ainda mais importância diante da descarbonização da economia. Fortalecer os portos regionais deixou de ser apenas uma política de infraestrutura para se tornar uma estratégia de competitividade nacional. Além disso, trata-se de uma agenda alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. Ao promover emprego e crescimento econômico, estimular investimentos em infraestrutura resiliente, reduzir desigualdades regionais e fortalecer comunidades locais, os pequenos portos demonstram que eficiência logística e desenvolvimento sustentável podem caminhar juntos. O Brasil precisa adotar uma visão integrada do seu sistema portuário. A expansão dos grandes complexos continuará essencial, mas a competitividade dependerá da integração entre modais, da diversificação dos corredores logísticos e do fortalecimento dos portos regionais. Ampliar a capacidade operacional do Porto de São Sebastião significa fortalecer não apenas um terminal, mas toda a logística brasileira. Ernesto Sampaio. Presidente do Porto de São Sebastião.