[[legacy_image_304067]] Se você, santista ou não, utilizar um carro e sair do Centro de Santos pela Rua Braz Cubas, passar pela Avenida Washington Luís, entrar nas ruas Luiz de Camões e Oswaldo Cruz e chegar à Praia do Boqueirão, estará seguindo com conforto uma trilha pré-histórica sinuosa chamada Caminho Velho da Barra, bem conhecida dos santistas até meados do século 20. O Caminho Velho da Barra era, primitivamente, uma trilha que começava no atual Centro, entre as praças da República e Antônio Teles, onde hoje é a Rua Braz Cubas. Era um caminho entre vegetação de campo e palmitais que alcançava a Barra (hoje orla da praia). Conseguimos essas informações com Lila Fernandes de Andrade, nascida em Santos, em 1913. Na década de 1920, morava na Rua Nabuco de Araújo e conheceu o Caminho Velho da Barra, onde brincava com suas irmãs mais velhas. Se na Ilha de Guaiaó, hoje São Vicente, já havia um caminho que atingia a Praia do Imbaré, chamado depois de Caminho Velho da Barra, este seria o final do Peabiru. O Peabiru era um caminho pré-histórico, datado provavelmente de 2.500 a.C., que começava na capital do Império Inca, em Cuzco (hoje no Peru). Peabiru é a junção de pea (significa caminho) e biru (nome de rio, depois mudado para Peru, que deu nome à república atual). Quanto à abertura, há duas correntes históricas. Uma propõe que é um caminho aberto pelos incas e a outra defende que foi aberta pelos indígenas tupis-guaranis que estavam sempre em movimento à procura da Terra sem Males. Atualmente, essa trilha existe totalmente urbanizada. Começa na Rua Braz Cubas, como já referido, passa pela Av. Washington Luis (parte coberta do Canal 3), flexiona-se na Rua Luiz de Camões e finaliza na Oswaldo Cruz, até chegar à Praia do Boqueirão. Aliás, o nome Boqueirão vem do alargamento do Caminho Velho ao chegar à praia. Os indígenas chamavam a ilha de Guaiaó (hoje São Vicente) e a praia de Imbaré (hoje Embaré). Em 1867, a Av. Conselheiro Nébias foi aberta pelo presidente da Câmara, que acumulava a função executiva, o engenheiro Ignácio Wallace da Gama Cochrane. Em linha reta, a via iniciada junto ao cais do Porto atinge a praia. No cruzamento com o Caminho Velho da Barra, deu-se uma encruzilhada, que deu nome ao Bairro Encruzilhada. O Caminho Velho da Barra era percorrido por grupos aventureiros que vinham da Cidade para a Barra pescar, tomar banho de mar e espairecer vendo o horizonte da Baía de Santos. Até hoje, o morador de Santos, estando na orla, refere-se ao Centro como Cidade. As tribos tupi-guaranis desciam do Planalto de Piratininga por duas trilhas pré-cabralinas, a dos Tupi (chamada depois de Caminho do Padre Anchieta) e a dos Tupinambá, inimigos dos tupi-guaranis. Essa trilha foi proibida por Mem de Sá, terceiro governador-geral do Brasil, por ser perigosa e pelos ataques dos tupinambás. As tribos tupi-guaranis vinham do Planalto pescar, buscar sal e tomavam banho de mar na praia do Imbaré, que significa “bom para a saúde”. Na metade do século 20, médicos recomendavam às mulheres com dificuldades para engravidar que, durante um mês ou dois, tomassem banhos de mar, segundo informações de Lila. Atualmente, paulistanos e veranistas descem a Serra do Mar e, depois de descansarem e tomarem sol na praia, comem peixes do Litoral. Qualquer semelhança é mera coincidência... Em breve contaremos mais sobre o Peabiru que atravessava a América do Sul.