De acordo com o dicionário, patriotismo é “o sentimento de amor à pátria, caracterizado pela identificação, lealdade, apoio e defesa do seu país, seus símbolos, tradições, cultura e povo”. Bonito, não? Até poético. Na prática, descobri esse sentimento de forma bem menos teórica. Tive a honra e o orgulho típicos de quem não aprendeu a disfarçar emoções, de vestir a camisa da seleção brasileira de atletismo. Isso há algumas décadas, quando eu ainda corria mais na pista do que na internet. Foi nessas competições no exterior que entendi o peso real da palavra. Subir ao pódio, ouvir o Hino Nacional ecoar em outro país e ver a Bandeira verde-amarela ser erguida... não há manual de civismo que ensine essa sensação. É pura emoção. É o momento em que você pensa: “Caramba, estou aqui em nome de milhões de pessoas que nem sabem meu nome.” Contudo, deixemos de lado a cena épica. O que se chama de patriotismo no Brasil de hoje em dia tem pouco a ver com pódios e hinos. Em geral, parece mais próximo de uma embalagem bem feita: lacrada, plastificada e vendida em liquidação para multidões ávidas por um “salvador da pátria” de ocasião. Uns dizem “patriotismo”, mas o que vemos é fanatismo travestido de civismo. A pergunta que não quer calar: quando alguém se autoproclama “patriota”, está mesmo falando do amor incondicional à pátria ou apenas repetindo slogans importados de algum comitê de marketing ideológico? Patriotismo de verdade não tem lado político, não cabe em cartilha partidária. Ele é supra-ideológico. Defender a pátria é uma coisa; usá-la como desculpa para defender um projeto de poder é outra bem diferente — e tem nome: torcida organizada. E convenhamos: o verdadeiro patriota não é aquele que pede intervenção de qualquer entidade mística — seja ela militar, divina ou extraterrestre. O patriota autêntico é atuante onde realmente importa: no trabalho, na honestidade com a coisa pública, no respeito às instituições, na defesa das liberdades que sustentam a pátria. Ele não precisa vestir a bandeira como capa de super-herói nem fazer dela toalha de piquenique ideológico. Não precisa gritar mais alto para parecer mais comprometido. O patriota de verdade não se anuncia: ele age. Age quando cumpre seus deveres, quando cobra seus direitos, quando protege o bem comum sem esperar medalha ou aplauso. No fim das contas, embora esteja muito difícil, precisamos voltar a ser verdadeiros patriotas. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor