Durante toda a vida, meu pai, Arnaldo Pazetti, foi um incorrígel otimista. Sinto falta dele e de seu otimismo incondicional, característica que não herdei “geneticamente”. Não nasci com tal dádiva. O “gene do otimismo” era dominante nele; em mim, é recessivo, o que não chega a me tornar pessimista. Pessoas pessimistas, para dizer o mínimo, são chatas. E, é claro, chatos são os outros. Embora não seja pessimista, meu otimismo teima em correr com lastro de ceticismo amarrado à cintura. E a política pindoramense tem o condão de constantemente me absolver da culpa por esse otimismo que corre lentamente. Ela torna autômato meu ceticismo. Por aqui, partidos políticos – como bandeiras de países nórdicos – têm cores diferentes, mas são muito parecidos. Sob lupa, é possível constatar muitas “aptidões” em comum entre eles. Estou exagerando? Em regra, revelam absoluta ausência de projetos para o País; nutrem gravíssimos casos de corrupção envolvendo seus membros – algo minimizado internamente em cada partido sob o autoengano de que a corrupção nas outras agremiações políticas é a única a ser combatida; mantêm voraz obsessão por emendas parlamentares; em cabal desrespeito pelo eleitor, buscam aninhar sob a legenda candidatos que, graças às suas “qualidades artísticas”, possuem milhões de seguidores nas redes sociais, mas – e não é preciso ser neurologista para identificar isso – possuem severo comprometimento cognitivo. Diante dos complexos problemas que o País tem para resolver, ingenuamente, cogitei em não termos mais espaço para candidatos com esse perfil. Mais uma vez, a realidade teima em afetar meu otimismo. Num insano culto à idolatria, partidos procuram, ainda, incutir nos eleitores “obediência de cadáver” (“kadavergehorsam”), expressão pejorativa que indicava a submissão incondicional, privada de vontade própria, verificada nos extintos exército imperial prussiano e, depois, exército nazista. Ao eleitor, há opção de votar num candidato de primeira disputa (não sem antes pesquisar o histórico do postulante) ou renovar o voto em candidato que já possui mandato (não sem antes verificar o que produziu nos últimos quatro anos, evitando políticos que – quase – nos comovem ao se indignarem nas redes sociais, mas não produzem nada além disso. O árduo desafio será garimpar candidatos sãos dentro de partidos doentios – e cada vez mais parecidos entre si. Nórdicos, não? *Arnaldo Luis Theodosio Pazetti. Coronel da PM, advogado e escritor