(Instituto Histórico e Geográfico de Santos) Ao ver essa foto, quantas memórias para um santista que viveu sua infância entre final dos anos 50 e começo dos 60! O Parque ainda vivia seu esplendor! Meu melhor amigo era Fernando Fracarolli (família dos donos do hotel) e me orgulhava de conhecer cada canto do Parque Balneário, pois todos eram cenário das brincadeiras que não parávamos de criar. Incluindo nosso time Balneário Futebol Clube, que treinava em seus lindos jardins e tinha o mérito de ser invicto... pois nunca conseguiu ganhar uma partida! Mais à frente, na adolescência, ficava escondido atrás de uma cortina da boate chique para aprender, ouvindo Hector Costita e tantos outros grandes músicos estrangeiros e nacionais que o hotel trazia. Muitas tardes, ficava na boate vazia estudando improvisaçãoo com meu sax sonhador e o grande baterista Edson Machado, meu querido amigo e mestre. Eram frenéticos duetos! Lá, também, sonhando a Bossa Nova realizamos shows em tardes de domingo, trazendo o público para assistir concertos com Alaíde Costa, Valter Vanderley, Vera Brasil, Pedrinho Mattar, Claudete Soares e nossa turma de amadores que, modéstia a parte, não fazia vergonha. Hermeto Pascoal, Cleiber, Airto Moreira e Flora Purim fizeram uma temporada de janeiro inteiro tocando todas as noites em sua já citada boate. Um pouco depois, o ator Paulo Lara criou num dos anexos do hotel um teatro de arena: TIC, Teatro Íntimo de Comédia. Lá pude assistir Procópio Ferreira no monólogo As Mãos de Eurídice e, com amigos, realizar um dos pontos altos de minha vida musical: a montagem de O Poeta e a Bossa, onde uma atriz, Nélia Paula, dizendo poemas brasileiros se revesava conosco (Eu, Marilene, Sonia, Oiram, Marton, Fogueira) tocando e cantando Chico Buarque, Paulinho da Viola, Caymmi, Baden, Vinicius. Meus primeiros e inesquecíveis arranjos vocais, totalmente influenciados pelo mestre Luis Eça e seu Tamba Trio. Que tempos, hein? A praia em frente era ainda limpa, ampla, ensolarada, generosamente nos convidando para o inexorável banho de mar após as “peladas” dominicais (com um olho na bola e outro nas meninas que passavam e nos inspiravam). Gilberto Mendes, nosso importantíssimo compositor contemporâneo, escreveu a peça Saudades do Parque Balneário quando assistiu a sua demolição: passagem de uma época concreta, de muito glamour, para o coração dessas memórias. *Roberto Sion. Músico, compositor e maestro