[[legacy_image_298028]] Elas podem enaltecer, alegrar, ajudar a curar, mas têm também o poder de machucar, entristecer, denegrir e muito mais. As palavras podem, igualmente, construir ou destruir pessoas, clarear ou enegrecer pensamentos, auxiliar a edificar uma visão melhor do mundo ou torná-lo medíocre. Ainda assim, nem sempre reservamos alguns minutos – segundos, que sejam – para avaliar previamente o que iremos verbalizar. Não nos perguntamos se aquelas palavras seriam mesmo as mais indicadas para o momento. Simplesmente as espalhamos pelos quatro cantos, deixando que os interlocutores as recebam da forma que melhor lhes convier. E aí reside o perigo. Recebidas de diferentes maneiras, levando-se em conta os repertórios pessoais e o momento que cada um atravessa, elas produzem efeitos difíceis de serem mensurados. O interlocutor que porventura já se encontrar fragilizado, tornar-se-á mais angustiado, desanimado, se receber críticas mal construídas; ao passo que o costumeiramente agressivo poderá se tornar ainda mais violento, lançando-se em um discurso aniquilador, se for alvo de comentários provocativos. Por que, então, colaborar para essas reações? “Nem todas as verdades são para todos os ouvidos”, já foi dito. Do mesmo modo, não será o tom de agressividade que tornará o discurso mais convincente. Críticas, objeções a pontos de vista, podem e devem ser feitas, sob pena de perdermos o discurso alternativo, o contraditório. Mas em todas elas, o equilíbrio deve prevalecer, pois além da questão da civilidade, uma discussão baseada em palavras adequadas e argumentos sólidos muitas vezes serve para derrubar ideias que cristalizamos dentro de nós apenas por comodidade. E o que dizer da agressividade que tomou conta das redes sociais, especialmente em períodos eleitorais? Ataques e contra-ataques emocionalmente destemperados, recheados de palavras deselegantes, depreciativas, e não raras vezes entremeadas de palavrões, que em nada contribuem para solucionar ou amenizar os problemas postos em discussão. Ao contrário, produzem apenas mal-estar entre os interlocutores, que a cada intervenção sobem o tom e passam a retrucar de forma cada vez mais ofensiva. Quando bem escolhidas e dispostas em um discurso balizado pela empatia, pelo desejo de alcançar bons resultados, as palavras certamente produzirão uma energia positiva nas relações e construirão pontes valiosas para a convivência de seres humanos, seja em que campo for. As palavras têm poder. Um poder realmente incrível. Tanto para o bem quanto para o mal. Cabe a nós a opção. E, em caso de dificuldade na escolha, há ainda a alternativa do silêncio. Lembrando o trecho de um interessante provérbio bíblico, “até o tolo passa por sábio se ficar calado”.