(Gerado por IA) Na pequena quitanda, menino e pai trabalhavam lado a lado. O pai, empenhado em ensinar ao filho algumas tarefas rotineiras do seu ofício. Notei o empenho do adulto e a alegria da criança em pleno aprendizado. Para o pequeno, nova brincadeira; para o pai, boa instrução. Percebi no garoto todo o seu semblante de pura felicidade. Ele desejava comparar-se ao pai, o seu exemplo de vida e de ensinamentos. Fui escolhendo o que comprar, mas não tirei a atenção daquela cena, pouco comum nos dias atuais. É costumeiro observar a convivência entre pais e filhos, um tanto truncada e quase desprovida da salutar interação. Os contatos entre pais e filhos, hoje em dia, revelam-se pouco amistosos e desprovidos do necessário carinho e cumplicidade. Atentei para a importância do amor, da pureza e do compartilhamento, necessários à boa coexistência, que deveria ser natural quando se pensa em relacionamentos familiares. A boa convivência poderia ser moldada pela troca de experiências, num constante aprendizado que sempre tornará próximos esses seres especialmente vinculados e, até, interdependentes, esteios um do outro, a trilhar, de mãos dadas, pelos caminhos do tempo, a prepará-los para a boa vida em comum. Em alguns dias, retornei à quitanda. Lá estavam pai e filho. Dessa vez o menino trabalhava com um livro de caça-palavras. Pacientemente, o pai parava o que fazia e interagia para com as descobertas do pequeno, a desvendar as letras agrupadas em palavras e os seus significados. O amor e o aconchego a uni-los, o aprendizado contínuo, tornando-os cúmplices na benéfica convivência. As duas cenas, observadas em momentos diferentes, conduziram-me a preciosas lembranças da minha infância. A intensa e natural apropriação do novo contribuiu para a minha vida em diferentes momentos nos quais experimentei alegrias e, até, tristezas. Soube superá-las porque já me sentia preparado para enfrentar as lidas da vida. O que eu pude apreender, naqueles dias de interação e de amor entre pai e filho, do extremo apego e carinho manifestados entre dois seres cujo amor permeava uma relação bonita de ser notada. Nesse nosso mundo em que a violência e o egoísmo transparecem latentes nas relações humanas mal resolvidas, aquela visão oportuna conduziu-me a novas reflexões. Quem dera se todos os seres humanos mantivessem, depois de crescidos, a pureza e a ingenuidade saudáveis, tão bem expressadas pelas crianças. Por que as pessoas quando crescem perdem, ou deixam de lado, os necessários princípios básicos de poderem bem lidar com os bons preceitos com mais sapiência para melhor alcançar a própria felicidade? Só é feliz quem vê beleza em tudo e consegue enxergar no seu semelhante um igual, mesmo considerando que todos são diferentes em essência, mas parecidos em oportunidades, merecendo ser tratados com o devido respeito e extremo carinho. *Maurilio Tadeu de Campos. Mestre em Educação, pesquisador, escritor, presidente da Contemporânea - Projetos Culturais e membro da Academia Santista de Letras