(Reprodução) Para que pais possam se tornar conselheiros dos filhos e filhas é preciso que exista uma relação entre eles. Sem isso, não se consegue estabelecer um vínculo afetivo e real. O primeiro passo para a existência dessa proximidade, em geral, tem de partir dos pais, que enfrentam dificuldades para manter financeiramente as casas e carecem da falta de tempo para isso. Se querem mesmo se relacionar, precisam encontrar momentos para se sentar ao lado deles e conversar. Esse é o primeiro passo: ter relacionamento verdadeiro com as crianças, adolescentes e jovens. Sem isso, nada acontece. Conquistados esse espaço e essa essencial confiança junto a eles, deve-se buscar o equilíbrio entre a natural autoridade dos pais — compreensão, amor, ajuda no desenvolvimento do caráter dos filhos — e as conversas. Ser conselheiro não é fácil! Demanda tempo, conhecimento profundo e algo difícil de se fazer: ouvir mais do que falar. Mesmo que discordem de tudo o que foi dito, mesmo que sejam totalmente contrários ao exposto, devem somente ouvir. Só isso já estabelece uma ponte de comunicação, no caso, para o diálogo entre pai e filho. Convém lembrar, especialmente para alguns pais mais modernos, que nada pode anular a natural autoridade que os progenitores devem ter sobre os pequenos. Outro ponto essencial é não dar sua opinião imediatamente e sim perguntar se pode dar pitaco no que foi dito. Se ele está ali numa conversa franca e confiante, claro que dirá sim. Esse é o resultado do que foi construído anteriormente, do tempo investido na vida dele, dos ouvidos abertos a todas as colocações, opiniões e dúvidas, da oportunidade de ele expor suas opiniões. Pais sempre têm de se lembrar que, além de tudo, precisam exercer liderança sobre eles, que carecem e sentem falta dessa figura à frente de tudo nas casas. Crianças, adolescentes e jovens precisam ouvir que os pais já passaram por determinada situação, para eles atual, e podem ajudar a deixar menos dolorosa a caminhada. Pais precisam ser bússolas para dar rumo, têm de andar com eles no caminho — não somente mostrar a direção — mostrando onde se encontram as pedras e os buracos e explicar o porquê fizeram desta ou daquela maneira. Casais mais jovens e modernos passaram a dizer sim em excesso aos filhos em vez de corrigi-los. A palavra não é um grande aprendizado na vida. Um cuidado fundamental nesse aconselhamento dos filhos é evitar que os pais invertam a situação e passem a desabafar sobre os problemas no trabalho, na família. É o momento de eles falarem. Só eles. Não se deve inserir na conversa problemas de adultos e transferir responsabilidades ou preocupações para as quais ainda não estão preparados. Eles estão ali para serem aconselhados e não para aconselhar. Estão ali, também, para serem educados e aprender a andar nos caminhos certos. Pais conscientes precisam ser como faróis que os auxiliem nas dificuldades da vida. * José Roberto Chiarella. Educador, professor de Educação Física e coordenador do Colégio Objetivo na Baixada Santista na cadeira de Direito e Cidadania e Formação para a Vida, advogado com especialização em Direito Digital