(Vanessa Rodrigues/AT) Alguns de nós têm se aventurado no fascinante mundo do liberalismo, essa filosofia política que ainda ilumina os corações de quem aprecia a liberdade individual, a dignidade humana e a justiça – tudo aquilo que, convenhamos, faz uma sociedade funcionar sem grandes dramas. Ao destrinchar seus princípios, muitos acabam abraçando ideias que, resumidamente, são uma espécie de manual de boas práticas para uma sociedade equilibrada. Para começar, cada um de nós tem o direito inalienável de perseguir a própria felicidade e fazer escolhas livres, desde que, claro, não esbarremos nos direitos dos outros – afinal, liberdade também tem limite, não é mesmo? Esses direitos, como a vida, a liberdade e a propriedade, não devem vir com o carimbo do governo. Eles são nossos por natureza e, por isso, precisam ser defendidos até de um Estado um pouco intrometido demais. A igualdade perante a lei? Ah, essa é a nossa favorita. Nada de privilégios ou discriminações por classe social, raça, religião ou qualquer outra etiqueta que a gente invente. A justiça imparcial é o que faz o jogo ser justo para todo mundo. E por falar em justiça, o governo deve existir com o consentimento do povo, aquele mesmo povo que o elege em eleições democráticas e espera, de coração, que o governo faça o básico: proteja os direitos individuais, garanta a segurança, promova justiça, e, se não for pedir muito, ofereça educação, saúde e cuide do meio ambiente. Ah, e a economia de mercado? Bem, acreditamos que funciona melhor quando o governo não mete muito a colher, deixando o mercado se autorregular dentro das regras da liberdade e da concorrência justa. Menos interferência, mais eficiência, dizem os liberais. Esses princípios não só ajudaram a construir as democracias modernas como ainda dão as cartas no debate político e econômico de hoje. E, para deixar bem claro, o liberalismo está acima das brigas de esquerda e direita. Porém, nos tempos atuais, por uma certa conveniência política, ser liberal tem sido sinônimo de ser de direita. Ora, essa simplificação é um erro ou, na pior das hipóteses, uma bela distorção intencional. É vital lembrar que há liberais de todos os matizes políticos, unidos por essa paixão pela liberdade. Então, nada de sequestrar o liberalismo para bandeiras polarizadas. Nosso compromisso é com liberdade, justiça e dignidade para todos, sem rótulos políticos, e principalmente sem abrir mão do bom humor, claro. *William Horstmann. Engenheiro, ex-executivo e consultor