(Alexsander Ferraz/ AT) Sou otimista por natureza. Ainda acredito na capacidade do ser humano em mudar hábitos e buscar cenários melhores e mais sustentáveis. Sabemos que sem o oceano saudável e sem controle das mudanças climáticas anunciadas durante este ano, a terra poderá se tornar um planeta mais difícil para se viver. O dado assustador pode parecer utópico, mas não é. Os oceanos são ferramentas para capturar as emissões de dióxido de carbono e o excesso de calor no Planeta. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Partindo da frase conhecida de que primeiro é preciso mudar o que está perto para mudar o todo, o que podemos esperar para Santos? As projeções não são animadoras e representam um alerta contínuo. Os especialistas apontam mais alagamentos e ressacas, pressão crescente sobre infraestrutura urbana e portuária, ecossistemas mais frágeis. Planejamento, prevenção e adaptação são necessários para conter os desafios. Se alguns cientistas acreditam que o Brasil tem condição de zerar as emissões líquidas dez anos antes da meta, em 2040, Santos também tem que fazer a lição de casa e acompanhar esse processo. Iniciativas públicas e privadas na área podem acelerar as expectativas para um futuro melhor. Uma das grandes preocupações de quem trabalha no mar é o impacto que o comportamento do oceano pode provocar no Porto de Santos. Esse ano tivemos várias interrupções operacionais devido a ressacas e ventos fortes. Com os problemas, vêm a necessidade de investimentos de manutenção dos canais e estruturas. Será que os órgãos envolvidos estão adaptando projetos de expansão às novas condições climáticas? Felizmente acompanhamos soluções interessantes ligadas à inovação. E precisamos muito mais. Marés altas combinadas com ressaca e chuva forte tendem a provocar alagamentos mais rápidos e duradouros. E ainda há muita pressão sobre sistemas de drenagem urbana, já operando no limite e a erosão da faixa de areia nas praias. Sem falar nos danos à infraestrutura da orla, como nos calçadões, ciclovias e quiosques. Nosso estuário de Santos-São Vicente é sensível às mudanças oceânicas. Temos acompanhado alterações na biodiversidade marinha, estuarina e nos manguezais, que são barreiras naturais contra enchentes e ressacas. São questões que afetam a economia local e segurança climática; 2026 pode trazer avanços, políticas de adaptação costeira, investimentos em soluções baseadas na natureza, planejamento urbano atento e - o que sempre falamos - educação ambiental e ciência cidadã envolvendo universidades e comunidade. Além de ações e política global voltadas para os oceanos, esperamos que movimentos políticos e científicos continuem contribuindo para o Planeta. O Tratado Internacional de Proteção dos Oceanos (High Seas Treaty) está previsto para entrar em vigor no início de 2026, focado na conservação e uso sustentável das áreas marinhas além das jurisdições nacionais. Por tudo isso eu continuo otimista. Nós, da Praticagem de São Paulo, também continuamos fazendo nossa parte para criar melhores cenários para o futuro. *Bruno Tavares. Vice-presidente da Praticagem de São Paulo.