(Unsplash) De onde vem a inspiração para a produção literária dos escritores? Quais são os gêneros literários que podem identificar essa produção literária? Os escritores têm como fontes de inspiração as situações, os fatos reais ou imaginários, as emoções vividas ou inventadas. A partir daí ocorre a produção de textos literários, enfocando assuntos diversos, desde um simples passeio, observações do cotidiano, até acontecimentos grandiosos; os autores podem, simplesmente, descrever o fato tal como ocorreu, ou inserir na sua produção situações criadas pela imaginação, desde que haja coerência entre os fatos narrados e a ficção. Na Antiguidade, os gregos escreviam de uma maneira totalmente diferente do modo como se escreve hoje. Em tempos mais recentes, os escritores passaram a usar os gêneros literários como moldura para encaixar as suas obras. Os gêneros literários foram identificados a partir da maneira como cada texto escrito conseguiu representar a realidade. Surgiram, assim, três categorias distintas para as formas literárias, seguindo o ponto de vista de quem fala. Na primeira, destaca-se o narrador; na segunda, prevalecem as falas das personagens, caracterizando uma situação mais dramática, colocando tudo diante dos olhos do leitor; na terceira categoria, o narrador e as personagens manifestam-se, numa alternância entre a narração dos fatos e as falas. Machado de Assis é um exemplo dessa terceira categoria, mestre em criar situações em que autor e personagens estão presentes nos textos de uma forma tão dinâmica que, no papel de narrador, o autor entra no caso contado, como personagem: “Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá ideia daquela feição nova”. (Machado de Assis, Dom Casmurro) Ainda hoje classificamos os textos literários em três gêneros: lírico, dramático e poético. No gênero lírico, o narrador toma a palavra para expressar seus sentimentos e suas emoções. A palavra “lírico” deriva de lira, instrumento musical que acompanhava os poetas desde a Antiguidade até a Idade Média. Os textos líricos têm ritmo bem marcado, repetições de palavras e versos, além da escolha de vocábulos que, quando são ditos, revelam harmonia entre os seus sons: “Que eu canto o peito ilustre Lusitano/A quem Netuno e Marte obedeceram/Cesse tudo o que a Musa antiga canta/Que outro valor mais alto se alevanta”. (Luís de Camões) No gênero dramático, apenas as personagens assumem a palavra. Pertencem a esse gênero os textos escritos para teatro. Antigamente, esses textos eram apresentados em versos, pois isso facilitava a memorização dos atores; hoje, as peças teatrais são escritas em prosa. São textos sem a presença do narrador, feitos inteiramente em diálogos, para serem interpretados em um palco. Já no gênero poético, os acontecimentos heroicos são relatados pelo narrador, que vai cedendo a palavra às personagens. As epopeias narram os feitos de heróis e semideuses que contam com a proteção dos próprios deuses da mitologia. De origem grega, servem de exemplos a Ilíada e a Odisséia, de Homero, e Eneida, do poeta Virgílio, de origem latina. Os gêneros são estudados ainda hoje como um recurso auxiliar para a compreensão das obras literárias e configuram-se em manifestações como o poema, o romance, o conto, a novela, a tragédia, a comédia, considerando-se as variantes, as formas mistas e o surgimento de novas realizações artísticas, adaptadas ao tempo e às características dos seus autores. *Professor, escritor, membro da Academia Santista de Letras e presidente da Contemporânea Projetos Culturais