( Tim Mossholder/Unsplash ) A cultura woke tem se consolidado como um movimento de conscientização e combate a injustiças sociais, raciais e econômicas. A busca por equidade em gênero, raça e classe social, além da pressão sobre empresas por práticas mais éticas, trouxe avanços, mas também resistências e controvérsias. A imposição de novas terminologias e expressões que alteram a estrutura do idioma gera polêmicas, assim como o conceito de ‘cancelamento’, que pode intensificar a censura, a polarização e a intolerância em relação a opiniões divergentes. Em um mundo onde as ideias devem circular livremente, transformar o debate em um campo minado de ofensas pode ser um tiro no pé, pois reflete um fenômeno maior: a luta pelo poder narrativo em uma sociedade em constante transformação. Acreditar que toda a sociedade embarcará integralmente em uma nova cultura pode ser um idealismo ingênuo. A história demonstra que a humanidade evolui em tecnologia e ciência, mas nem tanto no comportamento. O ser humano, por mais bem-intencionado que seja, tende a seguir um ciclo de avanços e retrocessos, moldado por interesses e dinâmicas de poder. Esse mesmo padrão pode ser observado no cenário geopolítico, onde a fragilidade de algumas lideranças cria espaço para a ascensão de figuras autoritárias. A frágil liderança de Joe Biden, alinhada ao progressismo, mais a Europa sem lideranças sólidas, contrastam com figuras como Vladimir Putin e Xi Jinping, que exploram essas brechas para demonstrar força. Nesse contexto, a responsabilidade de conter ameaças recai sobre Donald Trump, um líder controverso, cuja postura truculenta pode servir de dissuasão contra novas ameaças globais, como uma nova Guerra Fria ou um conflito de proporções mundiais. A política global, como um jogo de xadrez, se move conforme oportunidades e força dos adversários. As tensões ideológicas que vemos no debate social encontram paralelo na política internacional. Se a cultura woke busca moldar comportamentos e discursos, os jogos de poder globais mostram que as mudanças reais nem sempre seguem as boas intenções. O futuro político e social permanece incerto, mas uma coisa é certa: a história continua a se repetir em ciclos, e o equilíbrio entre idealismo e pragmatismo será fundamental para os próximos anos. Entre utopias e realidades, resta ao mundo encontrar o ponto de equilíbrio para avançar sem perder a essência do que significa ser humano. William Horstmann é engenheiro, ex-executivo e consultor.