Foto ilustrativa (Freepik) No último dia 28 de julho, uma ventania derrubou um coqueiro sobre as linhas elétricas aéreas próximas de minha casa em São Sebastião e, pela primeira vez na minha vida, experimentei o que é ficar sem energia elétrica por 18 horas, das 9 horas do dia 28 até as 3 horas do dia 29. Uma situação horrível e que dois milhões de paulistanos sofreram em outubro do ano passado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Isso mostra que nossas companhias de eletricidade que atuam no Brasil continuam sem a competência necessária para enfrentar o problema, bem como os nossos deputados em fiscalizar e tomar providências em relação a esse tema. Há quase 50 anos, ouço cientistas preverem o aumento e o agravamento dos desastres ambientais por causa do aquecimento global, como os ciclones extratropicais. Uns dias atrás, foi divulgado o Primeiro Relatório Bienal de Transparência do Brasil à Convenção do Clima, que aponta 14 ameaças climáticas analisadas para as cinco macrorregiões brasileiras diante de cenários de aquecimento médio global entre 1,5°C e 2°C. Uma primeira e drástica conclusão é que as metas do Acordo de Paris não são suficientes, mesmo se fossem totalmente cumpridas, pois todas as regiões brasileiras continuarão a ter alterações nos padrões climáticos. Já estamos vivendo uma emergência climática e muitos ainda não perceberam. O estudo aponta tendências de ocorrerem o aumento de temperatura e de ondas de calor em todas as macrorregiões do País. Também aumentarão a chuva anual no Sul e chuva extrema no Norte, Sudeste e Sul. O estudo aponta ainda o aumento de secas no Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste e de aumento de vento severo nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Sul. Também traz um alerta quanto ao aumento do nível do mar, de sua temperatura, de ondas de calor e de sua acidificação em toda a costa brasileira. E essas tendências climáticas terão efeitos na saúde das pessoas, na agricultura e na biodiversidade. Uma das ameaças analisadas, mas pouco estudada, envolve o aumento do vento severo. Frequentemente, essa ameaça está associada a outros eventos climáticos, como tempestades severas, frentes frias intensas, ciclones extratropicais. A rede de observação é mais limitada, comparada à chuva e temperatura. Isso porque os modelos climáticos ainda apresentam dificuldades para representar adequadamente os padrões de vento extremo, aumentando a incerteza das projeções. O objetivo desse estudo técnico-científico foi apoiar a elaboração e a consequente implementação do Plano Clima Adaptação, para que os responsáveis por setores e temas identificassem os riscos mais prováveis e pudessem priorizar ações e territórios. Agora, é preciso transformar conhecimento em ação e se espera que o estudo contribua junto ao público não especialista. Além do negacionismo, enfrenta-se a paralisia pela incerteza, mas mesmo assim decisões precisam ser tomadas com sabedoria para preservar o futuro da nação e da humanidade. É a hora dos políticos agirem.